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sexta-feira, 7 de março de 2025
Personagens
É uma heroína romântica, vive marcada por conflitos interiores e pelo passado. Os sentimentos e a sensibilidade sobrepõe-se à razão e é uma mulher em constante sofrimento. Crê em agoiros, superstições e dias fatais (a sexta-feira). É uma sofredora, tem um amor intenso e uma preocupação constante com a filha Maria, contudo coloca a cima de tudo a sua felicidade e amor ao lado de Manuel de Sousa, mesmo o seu amor à pátria é menor do que o que sente por Manuel. No final da obra, aceita o convento como solução, mas fá-lo seguindo Manuel (ele foi? Eu vou)
Manuel de Sousa Coutinho
É o típico herói clássico, dominado pela razão, que se orienta por valores universais, como a honra, a lealdade, a liberdade; é um patriota, um velho português às direitas, forte, corajoso e decidido (o incêndio), bom marido, pai terno, não sente ciúmes do passado e não crê em agoiros. O incêndio e a decisão
violenta de o concretizar é um traço romântico.
Contudo, esta personagem evolui de uma atitude interior de força e de coragem e segurança para um comportamento de medo, de dor, sofrimento, insegurança e piedosa mentira no acto III quando teme pela saúde da filha e pela sua condição social.
No final da obra, mostra-se tão decidido como noutros momentos: abandona tudo (bens, vida, mundo)e refugia-se no convento.
Maria de Noronha
É a mulher-anjo dos românticos (fisicamente é fraca e frágil; psicologicamente é muito forte).
Nobre, de inteligência precoce, é muito culta, intuitiva e perspicaz. Muito curiosa, quer saber tudo... É uma romântica: é nacionalista, idealista, sonhadora, fantasiosa, patriota, crente em agoiros e uma sebastianista.
É a vitima inocente de toda a situação e acaba por morrer fisicamente, tocada pela vergonha de se sentir filha ilegítima (está tuberculosa).
D. João de Portugal
Nobre cavaleiro, está ausente fisicamente durante o I e o II acto da peça. Contudo, está sempre presente na memória e palavras de Telmo, na consciência de Madalena, nas palavras de Manuel e na intuição de Maria.
É sempre lembrado como patriota, digno, honrado, forte, fiel ao seu rei; quando regressa, na pele do Romeiro é austero e misterioso, representa um destino cruel, é implacável, destrói uma família e a sua felicidade, mas acaba por ser, também ele, vitima desse destino. Resta-lhe então a solidão, o vazio e a certeza de que ele já só faz parte do mundo dos mortos (é “ninguém”; madalena não o reconhece; Telmo preferia que ele não tivesse voltado pois Maria ocupou o seu lugar no coração do velho escudeiro):
D. João é uma figura simbólica: representa o passado, a época gloriosa dos descobrimentos; representa também o presente, a pátria morta e sem identidade na mão dos espanhóis / e é a imagem da pátria cativa.
Telmo Pais
É o velho aio, não é nobre, contudo a sua convivência com as famílias nobres, “deu-lhe” todas as características de um nobre (postura, fala, educação, cultura...).
É o confidente de Madalena e de Maria. Fiel, dedicado, é o elo e ligação entre as duas famílias (os dois maridos de Madalena), é a chama viva do passado que alimenta os terrores de Madalena.
É muito critico, cria juízos de valor e é através dele que consciência das personagens fragmentada que vive num profundo conflito interior pois sente-se dividido entre D, João e Maria, não sabendo o que fazer.
É um sebastianistas e sofre muito pela sua lealdade.
Frei Jorge
Irmão de Manuel de Sousa, representa a autoridade de Igreja. É também confidente de Madalena, pois é a ele que ela confessa o seu “Terrível” pecado: amou Manuel de Sousa ainda D. João era vivo. É um uma figura moderadora, que procura harmonizar o conflito, modera os sentimentos trágicos. Acompanha sempre a família, é conciliador, pacificador e impõe uma certa racionalidade, procurando manter o equilíbrio no meio de uma família angustiada e desfeita.
domingo, 23 de fevereiro de 2025
Pág.140
2. Inicialmente, o Romeiro procura a confirmação de Telmo quanto às diligências
tomadas por D. Madalena no sentido de o encontrar (ll. 78-85), deixando transparecer
uma profunda mágoa por a sua esposa ter entregado o seu coração a outro. Após Telmo
aludir à injustiça deste juízo (l. 83), à virtude e honra de
D. Madalena e de confirmar essas diligências, D. João comunica ao velho escudeiro a
sua «última resolução» de tentar solucionar a situação. Esta decisão afigurou-se a mais
correta na alma do Romeiro, ao descobrir que o casal tinha uma filha, sentindo-se
responsável pelo «mal feito» (l. 114).
3. D. João pede a Telmo que minta, que diga a todos que «o peregrino era um
"impostor"» (l. 88) e que toda aquela situação era um «grosseiro embuste» (l. 89)
criado pelos inimigos de Manuel de Sousa Coutinho, decidindo desaparecer para sempre
– «Até ao dia de juízo» (l. 111).
Segundo o Romeiro, tal informação, dita por Telmo, teria «dobrada força»Pág.145
1. O espaço que se revela, quando uma cortina se afasta, é o de
uma igreja que comunica com o palácio; nele encontramos vários
religiosos, além de paramentos litúrgicos. As personagens
passam, assim, do espaço profano ao sagrado.
2. A expressão do Prior refere-se ao facto de Manuel e
D. Madalena estarem prestes a abdicar da vida que tinham,
dos seus bens e títulos, para ingressarem em ordens
religiosas. Mudarão de nome e abandonarão a existência
profana para professarem.
3. O ambiente da cena X tem a solenidade e a serenidade que
se espera de uma cerimónia religiosa: a música do órgão e os
cânticos contribuem para essa gravidade. A entrada tempestuosa
de Maria em cena vem perturbar a calma que se vivia e que
se transforma em «confusão geral».
4.1 Maria tenta demover os pais da resolução extrema que estão
a tomar («levantai-vos, vinde», l. 19), dirigindo a sua dolorosa
revolta contra a falta de humanidade de um Deus que lhe rouba
os seus legítimos pais («Que Deus é esse que […] quer roubar
o pai e a mãe a sua filha?», l. 25). Desafia as normas dominantes,
ao pedir aos pais que mintam, afirmando não se importar «com
o outro» (l. 27), que veio dizer que ela era «filha do crime e do
pecado» (ll. 40-41). Em suma, para Maria, o valor da família é
superior aos valores sociais e religiosos, contra os quais dirige
todo o seu discurso.
5.1 Maria revela à mãe o conteúdo das visões que a não
deixavam dormir: o anjo que surgia com uma espada em
chamas na mão e a atravessava entre ela e a mãe. A espada
atravessada entre a família indicia a separação, e o facto de
estar em chamas, significa a destruição.
6. O Romeiro, ao ver o sofrimento que causou naquela família
e a desgraça que se aproxima, pede a Telmo que intervenha
para «salvar» Maria e os seus pais. Revelando nobres
sentimentos, D. João, que antes ansiava por vingança,
arrepende-se e quer agora que a tragédia não se abata sobre a
nova família de D. Madalena.
7.1 Em Frei Luís de Sousa, assistimos a «um duplo e tremendo
suicídio», quando Manuel de Sousa Coutinho e D. Madalena
decidem abandonar voluntariamente o mundo profano
(«morte» para o mundo), para se entregarem à religião,
procurando deste modo restabelecer a ordem divina.
domingo, 2 de fevereiro de 2025
La Traviata
La Traviata (A Leviana) (clica no nome se quiseres ver e ouvir esta ópera ou excertos )
Opéra de Giuseppe Verdi sobre o amor e o sacrifício
Baseada na obra dramática A Dama das Camélias de Alexandre Dumas e com libretto de Francesco Maria Piave, esta ópera de Giuseppe Verdi é um dos retratos mais marcantes de uma mulher, ao mesmo tempo cruel e sublime.Estreou a 6 de março de 1853 no Teatro La Fenice, em Veneza.
Esta ópera conta-nos a história de amor entre Violeta, uma cortesã e Alfredo, um homem de linhagem, que se apaixona por ela. Violeta sabe que está tuberculosa mas omite esse facto a Alfredo. Acabam por ir viver juntos, mas o pai de Alfredo procura Violeta e pede-lhe que se afaste do filho, dado que essa situação está a prejudicar toda a família na sua reputação. Violeta, generosa, afasta-se e faz crer a Alfredo que já o não ama. Mais tarde, já perto da morte, Violeta é visitada pelo pai de Alfredo que lhe pede perdão e pelo próprio Alfredo que lhe jura amor eterno. Mas é tarde demais. Violeta morre nos braços de Alfredo...
sexta-feira, 31 de janeiro de 2025
Domínio da Oralidade- Trabalho de Grupo
A partir da peça Frei Luís de Sousa, vais fazer um pequeno trabalho de grupo.
- Escolhe um excerto da obra.
- Dramatiza-o, respeitando o texto original, ou adapta-o à atualidade e/ou dá-lhe um final diferente.
- Filma ou representa na sala de aula o excerto escolhido.
- A filmagem ou a representação não devem ultrapassar os 4 minutos.
- Todos os trabalhos devem conter pelo menos um dos seguintes elementos:
1. música de um compositor romântico;
2. um poema cujo tema esteja relacionado com o conteúdo do excerto (ou da obra);
3. uma canção cujo tema esteja relacionado com o conteúdo do excerto (ou da obra).
4. Sê criativo!
domingo, 26 de janeiro de 2025
Rap Frei Luís de Sousa
Rap
Frei Luís de Sousa
Era
uma vez uma família, bem organizada:
Pai,
mãe, filha e criado, feliz
Que
morava num palacete em Almada.
II
Ela,
Madalena, tinha um receio
Qu’o
primeiro marido regressasse d’Álcaçer Quibir
E
lhe estragasse o enleio.
III
D.João
de Portugal era o nome que temia,
Pois
de quem gostava mesmo
Era
do Manuel e sua filha Maria.
IV
O
criado Telmo não a fazia esquecer.
Amava
o seu amo, D.João,
E
alimentava a ilusão d’o tornar a ver.
V
Entre
medos e terrores, lá vivia o dia a dia.
Com
agoiros e presságios, rodeada dos amores…
Era
feliz por um lado, mas pelo outro sofria.
VI
Nesta
altura Portugal estava entregue aos espanhóis.
Manuel
era patriota e o seu maior desejo
Era
mandá-los a todos pastar caracóis.
VII
Quando
alguns deles quiseram hospedar-se em sua casa,
Preferiu
incendiá-la, transformou-a numa brasa.
VIII
Então
foram habitar o antigo palacete
De
D. João de Portugal,
O
marido ausente.
IX
Vivo
ou morto, onde estaria
Ao
final de tantos anos?
E
se ele regressasse e lhe estragasse os planos?
X
Mas
um dia disfarçado de romeiro
Ele
lá voltou. Esteve no cativeiro,
Em
Jerusalém, mas lá ele não ficou.
XI
Ao
regressar, D. João destruiu a união d’uma família feliz.
O
casal foi p’ró convento
E
algo de muito mau aconteceu à petiz.
XII
Maria,
esta filha muito amada,
Foi
a sua maior vítima.
Ficou
sem o pai e a mãe, e tornou-se ilegítima.
XIII
Ao
ver-se desamparada e já sem ninguém no mundo,
Morre
bem envergonhada, num sofrimento profundo.
XIV
Assim
acaba esta história de triste memória.
Manuel
é Frei Luís de Sousa,
E
não sei se mal ou bem,
Romeiro,
quem és tu?
Eu
sou ninguém, ninguém, ninguém…
domingo, 12 de janeiro de 2025
Sófocles, Rei Édipo
Sófocles nasceu em Colono, cidade perto de Atenas, por volta de 497 a. C. Era filho de um rico fabricante de armaduras, fazia parte de classe elevada e recebeu boa educação.
Com 16 anos, pela sua beleza física, bravura e seu talento musical, Sófocles foi escolhido para dirigir o (paean) canto coral aos deuses, para celebrar a vitória sobre os persas na batalha de Salamina.
Pelo seu gosto artístico e pelo equilíbrio do seu carácter pode ser considerado o Ateniense ideal. Nunca abandonou a Ática, onde morreu com 80 anos sem nunca ter estado doente.
Compôs mais de cem peças de teatro, mas até nós chegaram apenas sete: Ájax, Electra, Édipo Rei, Édito em Colono, Antígona, Traquínias e Filoctetes.
Ésquilo havia lançado as bases do género trágico. Coube a Sófocles levá-lo à perfeição, para o que contribuíram algumas inovações. O poeta dramático Sófocles inovou a técnica e a construção do teatro grego de seu tempo, quando acrescentou um terceiro ator aos dois já empregados por Ésquilo, permitindo ampliar o número de personagens, uma vez que um ator desempenhava vários papéis.
O tema principal é o destino do personagem central, do herói que sofre e é destruído.
O que é complexo de Édipo e Electra?
O complexo de Édipo é um conceito que foi defendido pelo psicanalista Sigmund Freud, que se refere a uma fase de desenvolvimento psicossexual da criança, chamada fase fálica, em que ela começa a sentir desejo por sua mãe e ódio e ciúme de seu pai. Este complexo acontece em meninos, enquanto que nas meninas recebe o nome de complexo de Electra.
Electra traduz o conflito entre mãe e filha, repleto de fantasias de morte, suicídio e ódio, que leva ao sadismo e também ao masoquismo.
Os mitos de Édipo e de Electra diferem na sua essência – mesmo que ambos tratem da rivalidade com o progenitor do mesmo sexo e do amor pelo progenitor do sexo oposto.
SOLUÇÕES MANUAL

a) Espaço claustrofóbico, lugar de introspeção;
b) Antecipação do destino do casal, que vai abraçar a vida espiritual;
c) Solenidade que sugere morte;
d) Despojamento dos bens materiais;
e) Associação ao sagrado e à Igreja;
f) Referência ao ingresso de Manuel de Sousa Coutinho e de Madalena numa vida religiosa;
g) Final de um ciclo de vida de uma família, morte de Maria e nova existência de Manuel de Sousa Coutinho e de D. Madalena.
2.1 Manuel de Sousa Coutinho sente-se devastado pela situação da filha, responsabilizando-se pelo que sucedeu e pelo estado em que Maria se encontra: preocupam-no os efeitos da desgraça na sua frágil saúde e as consequências sociais da sua ilegitimidade.
2.2 A personagem assume ter errado por se ter casado com D. Madalena sem terem a prova cabal da morte do primeiro marido, apesar de este ter sido procurado durante sete anos (sem sucesso). Não assume, porém, ter cometido um crime, pois as suas ações foram praticadas agindo de boa-fé e sem consciência do crime de adultério que, involuntariamente, perpetrava.
Soluções,
domingo, 13 de março de 2022
Há cerca de vinte e quatro séculos, o ilustre Demócrito referiu algo em que acredito piamente: “O carácter de um homem faz o seu destino”.
domingo, 6 de janeiro de 2019
Soneto da Separação
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama
De repente não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo, distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente
Vinicius de Moraes
Rap do Frei Luís de Sousa
Era uma vez uma família, bem organizada:
Pai, mãe, filha e criado, feliz
Que morava num palacete em Almada.
II
Ela, Madalena, tinha um receio
Qu’o primeiro marido regressasse d’Álcáçer Quibir
E lhe estragasse o enleio.
III
D. João de Portugal era o nome que temia,
Pois de quem gostava mesmo
Era do Manuel e sua filha Maria.
IV
O criado Telmo não a fazia esquecer.
Amava o seu amo, D. João,
E alimentava a ilusão de o tornar a ver.
V
Entre medos e terrores, lá vivia o dia a dia.
Com agoiros e presságios, rodeada dos amores…
Era feliz por um lado, mas pelo outro sofria.
VI
Nesta altura Portugal estava entregue aos espanhóis.
Manuel era patriota e o seu maior desejo
Era mandá-los a todos pastar caracóis.
VII
Quando alguns deles quiseram hospedar-se em sua casa,
Preferiu incendiá-la, transformou-a numa brasa.
VIII
Então foram habitar o antigo palacete
De D. João de Portugal,
O marido ausente.
IX
Vivo ou morto, onde estaria
Ao final de tantos anos?
E se ele regressasse e lhe estragasse os planos?
X
Mas um dia disfarçado de romeiro
Ele lá voltou. Esteve no cativeiro,
Em Jerusalém, mas lá ele não ficou.
XI
Ao regressar, D. João destruiu a união d’uma família feliz.
O casal foi p’ró convento
E algo de muito mau aconteceu à petiz.
XII
Maria, esta filha muito amada,
Foi a sua maior vítima.
Ficou sem o pai e a mãe, e tornou-se ilegítima.
XIII
Ao ver-se desamparada e já sem ninguém no mundo,
Morre bem envergonhada, num sofrimento profundo.
XIV
Assim acaba esta história de triste memória.
Manuel é Frei Luís de Sousa,
E não sei se mal ou bem,
Romeiro, quem és tu?
Eu sou ninguém, ninguém, ninguém…






