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sexta-feira, 7 de março de 2025

Personagens

Madalena de Vilhena
É uma heroína romântica, vive marcada por conflitos interiores e pelo passado. Os sentimentos e a sensibilidade sobrepõe-se à razão e é uma mulher em constante sofrimento. Crê em agoiros, superstições e dias fatais (a sexta-feira). É uma sofredora, tem um amor intenso e uma preocupação constante com a filha Maria, contudo coloca a cima de tudo a sua felicidade e amor ao lado de Manuel  de Sousa, mesmo o seu amor à pátria é menor do que o que sente por Manuel. No final da obra, aceita o convento como solução,  mas fá-lo seguindo Manuel (ele foi? Eu vou)


Manuel de Sousa Coutinho
É o típico herói clássico, dominado pela razão, que se orienta por valores universais, como a honra, a lealdade, a liberdade; é um patriota, um velho português às direitas, forte, corajoso e decidido (o incêndio), bom marido, pai terno, não sente ciúmes do passado e não crê em agoiros. O incêndio e a decisão
violenta de o concretizar é um traço romântico.
            Contudo, esta personagem evolui de uma atitude interior de força e de coragem e segurança para um comportamento de medo, de dor, sofrimento, insegurança e piedosa mentira no acto III quando teme pela saúde da filha e pela sua condição social.
            No final da obra, mostra-se tão decidido como noutros momentos: abandona tudo (bens, vida, mundo)e refugia-se no convento.


Maria de Noronha
            É a mulher-anjo dos românticos (fisicamente é fraca e frágil; psicologicamente é muito forte).
            Nobre, de inteligência precoce, é muito culta, intuitiva e perspicaz. Muito curiosa, quer saber tudo... É uma romântica: é nacionalista, idealista, sonhadora, fantasiosa, patriota, crente em agoiros e uma sebastianista.
            É a vitima inocente de toda a situação e acaba por morrer fisicamente, tocada pela vergonha de se sentir filha ilegítima (está tuberculosa).

         
D. João de Portugal
            Nobre cavaleiro, está ausente fisicamente durante o I e o II acto da peça. Contudo, está sempre presente na memória e palavras de Telmo, na consciência de Madalena, nas palavras de Manuel e na intuição de Maria.
            É sempre lembrado como patriota, digno, honrado, forte, fiel ao seu rei; quando regressa, na pele do Romeiro é austero e misterioso, representa um destino cruel, é implacável, destrói uma família e a sua felicidade, mas acaba por ser, também ele, vitima desse destino. Resta-lhe então a solidão, o vazio e a certeza de que ele já só faz parte do mundo dos mortos (é “ninguém”; madalena não o reconhece; Telmo preferia que ele não tivesse voltado pois Maria ocupou o seu lugar no coração do velho escudeiro):
            D. João é uma figura simbólica: representa o passado, a época gloriosa dos descobrimentos; representa também o presente, a pátria morta e sem identidade na mão dos espanhóis / e é a imagem da pátria cativa.


Telmo Pais
            É o velho aio, não é nobre, contudo a sua convivência com as famílias nobres, “deu-lhe” todas as características de um nobre (postura, fala, educação, cultura...).
            É o confidente de Madalena e de Maria.  Fiel, dedicado, é o elo e ligação entre as duas famílias (os dois maridos de Madalena), é a chama viva do passado que alimenta os terrores de Madalena.
É muito critico, cria juízos de valor e é através dele que  consciência das personagens fragmentada que vive num profundo conflito interior pois sente-se dividido entre D, João e Maria, não sabendo o que fazer.
É um sebastianistas e sofre muito pela sua lealdade.


Frei Jorge
            Irmão de Manuel de Sousa, representa a autoridade de Igreja. É também confidente de Madalena, pois é a ele que ela confessa o seu “Terrível” pecado: amou Manuel de Sousa ainda D. João era vivo. É um uma figura moderadora, que procura harmonizar o conflito, modera os sentimentos trágicos. Acompanha sempre a família, é conciliador, pacificador e impõe uma certa racionalidade, procurando manter o equilíbrio no meio de uma família angustiada e desfeita.

domingo, 23 de fevereiro de 2025

Pág.140

 2. Inicialmente, o Romeiro procura a confirmação de Telmo quanto às diligências 

tomadas por D. Madalena no sentido de o encontrar (ll. 78-85), deixando transparecer 

uma profunda mágoa por a sua esposa ter entregado o seu coração a outro. Após Telmo 

aludir à injustiça deste juízo (l. 83), à virtude e honra de
D. Madalena e de confirmar essas diligências, D. João comunica ao velho escudeiro a 

sua «última resolução» de tentar solucionar a situação. Esta decisão afigurou-se a mais 

correta na alma do Romeiro, ao descobrir que o casal tinha uma filha, sentindo-se 

responsável pelo «mal feito» (l. 114).


3. D. João pede a Telmo que minta, que diga a todos que «o peregrino era um 

"impostor"» (l. 88) e que toda aquela situação era um «grosseiro embuste» (l. 89) 

criado pelos inimigos de Manuel de Sousa Coutinho, decidindo desaparecer para sempre

 – «Até ao dia de juízo» (l. 111).

Segundo o Romeiro, tal informação, dita por Telmo, teria «dobrada força» 
(l. 120). Inicialmente, Telmo rejeita participar neste plano, por implicar renegar
 o seu «filho», D. João de Portugal, a quem amava e era fiel; no entanto, acaba
 por ceder à vontade do Romeiro, sobretudo pelo amor «maior» pela 
«outra filha», Maria. 

4. O Romeiro, ao ouvir D. Madalena chamar pelo seu 
«esposo» (l. 129), por breves instantes fica feliz e esperançoso, pensando 
que é a si que ela se dirige, e sente-se tentado a abrir-lhe a porta. Porém, 
quando D. Madalena nomeia «Manuel», chamando-lhe «meu amor» (l. 137), 
fica furioso e destroçado, dirigindo-se para a porta; contudo, cai em si e, 
resignado, reafirma a sua decisão, saindo «com violência» de cena (l. 140). 

5. D. João de Portugal encerra em si as virtudes do cavaleiro cristão: mostra 
amor pelo seu rei e pela sua pátria, combate contra os inimigos da fé, pela
 qual coloca em risco a sua vida, sujeitando-se a maus-tratos, privações, 
distância e «saudades» da esposa durante «vinte anos». Revela generosidade
 e grandeza de alma ao não querer «desonrar a sua viúva» (l. 119), preferindo,
 apesar de sentir frustração e mágoa pela perda da sua esposa, passar por 
«impostor», apagando-se voluntariamente, para tentar remediar o problema 
que o seu regresso gerou.

Pág.145

 1. O espaço que se revela, quando uma cortina se afasta, é o de 

uma igreja que comunica com o palácio; nele encontramos vários

 religiosos, além de paramentos litúrgicos. As personagens 

passam, assim, do espaço profano ao sagrado.


2. A expressão do Prior refere-se ao facto de Manuel e 

D. Madalena estarem prestes a abdicar da vida que tinham, 

dos seus bens e títulos, para ingressarem em ordens 

religiosas. Mudarão de nome e abandonarão a existência 

profana para professarem.


3. O ambiente da cena X tem a solenidade e a serenidade que 

se espera de uma cerimónia religiosa: a música do órgão e os 

cânticos contribuem para essa gravidade. A entrada tempestuosa 

de Maria em cena vem perturbar a calma que se vivia e que 

se transforma em «confusão geral». 




4.1 Maria tenta demover os pais da resolução extrema que estão 

a tomar («levantai-vos, vinde», l. 19), dirigindo a sua dolorosa 

revolta contra a falta de humanidade de um Deus que lhe rouba

 os seus legítimos pais («Que Deus é esse que […] quer roubar 

o pai e a mãe a sua filha?», l. 25). Desafia as normas dominantes, 

ao pedir aos pais que mintam, afirmando não se importar «com

 o outro» (l. 27), que veio dizer que ela era «filha do crime e do

 pecado» (ll. 40-41). Em suma, para Maria, o valor da família é 

superior aos valores sociais e religiosos, contra os quais dirige 

todo o seu discurso.



5.1 Maria revela à mãe o conteúdo das visões que a não 

deixavam dormir: o anjo que surgia com uma espada em 

chamas na mão e a atravessava entre ela e a mãe. A espada 

atravessada entre a família indicia a separação, e o facto de 

estar em chamas, significa a destruição. 

6. O Romeiro, ao ver o sofrimento que causou naquela família 

e a desgraça que se aproxima, pede a Telmo que intervenha 

para «salvar» Maria e os seus pais. Revelando nobres 

sentimentos, D. João, que antes ansiava por vingança, 

arrepende-se e quer agora que a tragédia não se abata sobre a

nova família de D. Madalena.


7.1 Em Frei Luís de Sousa, assistimos a «um duplo e tremendo 

suicídio», quando Manuel de Sousa Coutinho e D. Madalena 

decidem abandonar voluntariamente o mundo profano 

(«morte» para o mundo), para se entregarem à religião, 

procurando deste modo restabelecer a ordem divina.

domingo, 2 de fevereiro de 2025

La Traviata

La Traviata (A Leviana) (clica no nome se quiseres ver e ouvir esta ópera ou excertos )


Opéra  de Giuseppe Verdi sobre o amor e o sacrifício

Baseada na obra dramática A Dama das Camélias de Alexandre Dumas e com libretto de Francesco Maria Piave, esta ópera de Giuseppe Verdi  é um dos retratos mais marcantes de uma mulher, ao mesmo tempo cruel e sublime.Estreou a 6 de março de 1853 no Teatro La Fenice, em Veneza.

Esta ópera conta-nos a história de amor entre Violeta, uma cortesã e Alfredo, um homem de linhagem, que se apaixona por ela. Violeta sabe que está tuberculosa mas omite esse facto a Alfredo. Acabam por ir viver juntos, mas o pai de Alfredo procura Violeta e pede-lhe que se afaste do filho, dado que essa situação está a prejudicar toda a família na sua reputação. Violeta, generosa, afasta-se e faz crer a Alfredo que já o não ama. Mais tarde, já perto da morte, Violeta é visitada pelo pai de Alfredo que lhe pede perdão e pelo próprio Alfredo que lhe jura amor eterno. Mas é tarde demais. Violeta morre nos braços de Alfredo... 

sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

João Villaret


 

Domínio da Oralidade- Trabalho de Grupo

 A partir da peça Frei Luís de Sousa, vais fazer um pequeno trabalho de grupo.


- Escolhe um excerto da obra.
- Dramatiza-o, respeitando o texto original, ou adapta-o à atualidade e/ou dá-lhe um final diferente.
- Filma ou representa na sala de aula o excerto escolhido.
- A filmagem ou a representação não devem ultrapassar os 4 minutos.
- Todos os trabalhos devem conter pelo menos um dos seguintes elementos:
          1. música de um compositor romântico;
          2. um poema cujo tema esteja relacionado com o conteúdo do excerto (ou da obra);
          3. uma canção cujo tema esteja relacionado com o conteúdo do excerto (ou da obra).
       4. Sê criativo!



Bom Trabalho!






domingo, 26 de janeiro de 2025

Rap Frei Luís de Sousa

 

                    Rap Frei Luís de Sousa 

I

Era uma vez uma família, bem organizada:

Pai, mãe, filha e criado, feliz

Que morava num palacete em Almada.

 

II

Ela, Madalena, tinha um receio

Qu’o primeiro marido regressasse d’Álcaçer Quibir

E lhe estragasse o enleio.

 

III

D.João de Portugal era o nome que temia,

Pois de quem gostava mesmo

Era do Manuel e sua filha Maria.

 

IV

O criado Telmo não a fazia esquecer.

Amava o seu amo, D.João,

E alimentava a ilusão d’o tornar a ver.

 

V

Entre medos e terrores, lá vivia o dia a dia.

Com agoiros e presságios, rodeada dos amores…

Era feliz por um lado, mas pelo outro sofria.

 

VI

Nesta altura Portugal estava entregue aos espanhóis.

Manuel era patriota e o seu maior desejo

Era mandá-los a todos pastar caracóis.

 

VII

Quando alguns deles quiseram hospedar-se em sua casa,

Preferiu incendiá-la, transformou-a numa brasa.

 

VIII

Então foram habitar o antigo palacete

De D. João de Portugal,

O marido ausente.

 

IX

Vivo ou morto, onde estaria

Ao final de tantos anos?

E se ele regressasse e lhe estragasse os planos?

 

X

Mas um dia disfarçado de romeiro

Ele lá voltou. Esteve no cativeiro,

Em Jerusalém, mas lá ele não ficou.

 

XI

Ao regressar, D. João destruiu a união d’uma família feliz.

O casal foi p’ró convento

E algo de muito mau aconteceu à petiz.

 

XII

Maria, esta filha muito amada,

Foi a sua maior vítima.

Ficou sem o pai e a mãe, e tornou-se ilegítima.

 

XIII

Ao ver-se desamparada e já sem ninguém no mundo,

Morre bem envergonhada, num sofrimento profundo.

 

XIV

Assim acaba esta história de triste memória.

Manuel é Frei Luís de Sousa,

E não sei se mal ou bem,

Romeiro, quem és tu?

Eu sou ninguém, ninguém, ninguém…

 

domingo, 12 de janeiro de 2025

Sófocles, Rei Édipo








SÓFOCLES

Sófocles (497 - 406 a. C) foi um dramaturgo grego. A sua obra-prima Édipo Rei  consagrou-o como o maior poeta trágico da Antiguidade Grega. Viveu  num período áureo da Grécia, sob o governo de Péricles. 
Sófocles, Ésquilo e Eurípedes foram considerados os três grandes poetas dramáticos da Grécia Antiga.


 Sófocles nasceu em Colono, cidade perto de Atenas, por volta de 497 a. C. Era filho de um rico fabricante de armaduras, fazia parte de classe elevada e recebeu boa educação.

Com 16 anos, pela sua beleza física,  bravura e seu talento musical, Sófocles foi escolhido para dirigir o (paean) canto coral aos deuses, para celebrar a vitória sobre os persas na batalha de Salamina.

Pelo seu gosto artístico e pelo equilíbrio do seu carácter pode ser considerado o Ateniense ideal. Nunca abandonou a Ática, onde morreu com 80 anos sem nunca ter estado doente.

Compôs mais de cem peças de teatro, mas até nós chegaram apenas sete: Ájax, Electra, Édipo Rei, Édito em Colono, Antígona, Traquínias e Filoctetes.

Ésquilo havia lançado as bases do género trágico. Coube a Sófocles levá-lo à perfeição, para o que contribuíram algumas inovações. O poeta dramático Sófocles inovou a técnica e a construção do teatro grego de seu tempo, quando acrescentou um terceiro ator aos dois já empregados por Ésquilo, permitindo ampliar o número de personagens, uma vez que um ator desempenhava vários papéis.

O tema principal é o destino do personagem central, do herói que sofre e é destruído.


O que é complexo de Édipo e Electra?

O complexo de Édipo é um conceito que foi defendido pelo psicanalista Sigmund Freud, que se refere a uma fase de desenvolvimento psicossexual da criança, chamada fase fálica, em que ela começa a sentir desejo por sua mãe e ódio e ciúme de seu pai. Este complexo acontece em meninos, enquanto que nas meninas recebe o nome de complexo de Electra.

Electra traduz o conflito entre mãe e filha, repleto de fantasias de morte, suicídio e ódio, que leva ao sadismo e também ao masoquismo.

 Os mitos de Édipo e de Electra diferem na sua essência – mesmo que ambos tratem da rivalidade com o progenitor do mesmo sexo e do amor pelo progenitor do sexo oposto.

SOLUÇÕES MANUAL

 







2.1 Nesta cena, o leitor/espectador fica a saber que, após ter incendiado o seu palácio para afrontar os governadores ao serviço de Espanha, Manuel de Sousa Coutinho teve de se esconder para não ser punido pelo seu ato. Contudo, «oito dias» volvidos, os governantes foram persuadidos a esquecer a afronta e operigo que pairava sobre o pai de Maria desvaneceu-se.


3. Madalena ficou inicialmente muito inquieta com o incêndio do palácio onde vivia e com a mudança da família para o palácio do seu primeiro marido; ficou também bastante receosa por Manuel de Sousa ter desafiado os governadores do reino. Contudo, nesta cena, está mais serena («dorme em sossego»), porque os governadores já não pretendem punir Manuel de Sousa e porque estar no palácio de D. João já não a deixa em sobressalto.

4. Inicialmente, Telmo revela consideração e estima por Manuel de Sousa, mas não tem por ele a reverência que nutria pelo primeiro amo, D. João. Contudo, após Sousa Coutinho ter dado provas do seu elevado patriotismo, ao incendiar o próprio palácio, nasce no velho aio uma admiração enorme e um grande respeito pelo segundo amo. 

5.1 A destruição do retrato de Manuel, pelas chamas, e a presença do retrato de D. João são vistos como prenúncios de desgraça. Estes presságios inspiram grande receio e inquietação em D. Madalena e em Maria, que veem neles sinais de uma tragédia que se abaterá sobre a família. 
6. Os três retratos destacados na sala (de D. Sebastião, de D. João de Portugal e de Camões) aludem à ideia do velho Portugal, que sofreu um golpe fatal na batalha de Alcácer Quibir (e veio a perder a independência). Essa realidade que desapareceu é aqui representada pela sua figura de proa, o rei), por um destacado membro da nobreza (D. João) e pelo poeta que celebrou a antiga glória do reino e do império (Camões). 

                                           Gramática


Soluções págs. 120 e 121

1. Nas cenas IV e V, Frei Jorge confirma a D. Manuel de Sousa Coutinho já não haver perigo de retaliações por parte dos governadores. D. Madalena, já restabelecida e bem-disposta, junta-se aos demais. No entanto, a sua boa-disposição é passageira, pois fica apreensiva ao saber que o marido tem de ir a Lisboa, agradecer ao arcebispo, e que Maria tenciona acompanhar o pai para conhecer Soror Joana. As apreensões aumentam por ser sexta-feira, dia que ela considera fatídico. 


2. D. Madalena insiste para que Telmo a acompanhe, uma vez que quer evitar a repetição das acusações feitas por Telmo (por exemplo, no diálogo da cena II do ato I), não querendo relembrar as razões da sua angústia: as dúvidas que a assaltam relativamente a D. João.



3. D. Madalena revela-se muito carinhosa com Maria e zelosa pelo seu bem-estar, procurando que nada lhe aconteça. Maria, por sua vez, tenta acalmar a mãe; no entanto, sente-se profundamente abalada com a tristeza que esta deixa transparecer. 

4. A evocação de D. Joana de Castro surge a propósito de Maria a querer conhecer. D. Madalena admira-a pela força e pela virtude demonstradas na abdicação dos bens e amor terrenos. Não se vê capaz de tais «perfeições», considerando a atitude dos condes como uma assunção de morte. Poder-se-á deduzir, das suas palavras, um pressentimento da sua própria desgraça, o estabelecimento de um paralelo entre a sua situação e a de Soror Joana: a separação do homem que ama. 

5. O monólogo de Frei Jorge na cena IX coloca em evidência a sua apreensão face à situação vivenciada. As suas palavras denunciam que a racionalidade que o caracteriza, bem como a sua constante rejeição de agouros, são postas em causa pelo ambiente de desgraça que envolve a sua família, vendo-se ele próprio invadido pelo mesmo. Assim, o seu monólogo constitui mais um forte indício de um final trágico. 


6.1 Aquela sexta-feira é um «dia fatal» para D. Madalena por ter sido precisamente neste dia que: – casou pela primeira vez (com D. João de Portugal); – se deu a derrota em Alcácer Quibir, na qual desapareceram D. Sebastião e D. João de Portugal; – viu pela primeira vez Manuel de Sousa Coutinho, por quem se apaixonou.

6.2 Com estas palavras, Madalena alude à instabilidade: – do tempo, referindo-se aos ventos e às marés; – da própria vida (até ao momento aparentemente calma), constituindo um indício das mudanças que se aproximam.

6.3 A ação localiza-se no dia 4 de agosto de 1599: o dia e o mês são os da batalha de Alcácer Quibir; a batalha deu-se em 1578; procurou-se D. João durante 7 anos; D. Madalena e Manuel de Sousa Coutinho estão casados há 14 anos, logo, passaram 21 anos. 

Gramática pág. 121



Soluções pág. 128

1. Nesta cena é anunciada a chegada de um romeiro, que diz ter um recado e que só o transmitirá a D. Madalena.

2. Estas cenas localizam-se no conflito da obra, correspondendo ao desenlace do ato II: o Romeiro conta a D. Madalena que o seu primeiro marido está vivo. Após ser interrogado por Frei Jorge, esta personagem identifica-se como «Ninguém», apontando para o retrato de D. João de Portugal.


3. Delimitação em dois momentos: a) diálogo em que o Romeiro revela o local onde viveu durante 20 anos, o seu sofrimento e a perda da família, tendo apenas um amigo; b) revelações do Romeiro acerca da existência de D. João de Portugal (o que D. Madalena fica a saber) e a correspondência de ser ele próprio D. João de Portugal (o que apenas Frei Jorge fica a saber). Indícios da identidade do peregrino: c) português; d) cativo da batalha de Alcácer Quibir; e) morou nos Santos Lugares durante 20 anos; f) todos pensam que está morto; g) perda da família; h) a importância atribuída ao dia de «Hoje». 

4. As didascálias espelham o crescendo de emoções de D. Madalena, à medida que o Romeiro vai fornecendo mais informações. O terror e o sofrimento vão-se apoderando da personagem, como se pode verificar nas didascálias «aterrada», «na maior ansiedade» e «espavorida». 


5.1 D. Madalena sai precipitadamente da sala, revelando-se profundamente aterrada ao tomar consciência da sua situação de pecado e da ilegitimidade da filha, cuja debilidade física a preocupa. A sua saída de cena é anterior à identificação da personagem do Romeiro com o retrato de D. João de Portugal, impossibilitando-a de um reconhecimento completo acerca de quem é de facto o Romeiro. 

6.1 «Ninguém» é um pronome indefinido, logo D. João de Portugal, quando se identifica através deste vocábulo, anula-se enquanto pessoa, já que não tem existência para os outros: a sua família construiu, a partir da sua «morte», uma nova estrutura familiar. 

7. a) O aparecimento do Romeiro. b) O Romeiro informa que D. João de Portugal está vivo. c) O duplo reconhecimento: D. Madalena apenas sabe que o primeiro marido está vivo; Frei Jorge sabe que o Romeiro é D. João de Portugal. d) A profunda dor de D. Madalena ao ouvir que o primeiro marido está vivo, o que conduzirá à destruição da sua nova família. 

1. Solução pág. 134
a) Espaço claustrofóbico, lugar de introspeção; 
b) Antecipação do destino do casal, que vai abraçar a vida espiritual; 
c) Solenidade que sugere morte; 
d) Despojamento dos bens materiais;
e) Associação ao sagrado e à Igreja; 
f) Referência ao ingresso de Manuel de Sousa Coutinho e de Madalena numa vida religiosa;
g) Final de um ciclo de vida de uma família, morte de Maria e nova existência de Manuel de Sousa Coutinho e de D. Madalena.

2.1 Manuel de Sousa Coutinho sente-se devastado pela situação da filha, responsabilizando-se pelo que sucedeu e pelo estado em que Maria se encontra: preocupam-no os efeitos da desgraça na sua frágil saúde e as consequências sociais da sua ilegitimidade.


2.2 A personagem assume ter errado por se ter casado com D. Madalena sem terem a prova cabal da morte do primeiro marido, apesar de este ter sido procurado durante sete anos (sem sucesso). Não assume, porém, ter cometido um crime, pois as suas ações foram praticadas agindo de boa-fé e sem consciência do crime de adultério que, involuntariamente, perpetrava.


3. Como modo de expiar a sua culpa, Manuel de Sousa e Madalena decidiram professar e ingressar em ordens eclesiásticas, abraçando a vida religiosa. Desta forma, «morrerão» para o mundo.

4. Manuel de Sousa está profundamente preocupado com o destino de Maria por dois motivos: por um lado, porque o estado de saúde da filha parece agravar-se; por outro, porque, como Maria nasceu em pecado (fruto de um adultério), está condenada à desonra e à infâmia.

5. Madalena sabe que D. João está vivo, embora não saiba ainda que o Romeiro é o seu primeiro marido.












Soluções, 




domingo, 13 de março de 2022

Se eu mandasse no Destino

           Há cerca de vinte e quatro séculos, o ilustre Demócrito referiu algo em que acredito piamente: “O carácter de um homem faz o seu destino”.

Dado que o caráter se revela nas nossas ações que trazem sempre consequências, e que, dia após dia, vão construindo o nosso futuro, esta é a minha definição de destino!
      Nós vivemos em sociedade e, como tal, estamos todos interligados. As minha ações estão certamente condicionadas e influenciadas pelas vossas e vice-versa. É como se os nossos destinos se moldassem mutuamente, o que não significa que se restrinjam.
     Como tal, um homem inerte, cómodo, preguiçoso e sem ambições, sujeita-se a adquirir o futuro que o resto da sociedade lhe oferece. Já um homem trabalhador, autónomo, ambicioso e sonhador, torna-se quem ambiciona ser, independentemente do que os outros elementos da sociedade lhe queiram impor.
      Isto é a nossa realidade que não é universal. Existem várias sociedades que limitam a inúmeros níveis o futuro dos seus cidadãos. Por exemplo, a Coreia do Norte, os países menos desenvolvidos de África , onde é muito pouco provável que uma criança, por mais que se esforce, consiga tornar-se um astronauta, ou até mesmo alguns países muçulmanos onde é impensável que uma mulher se torne um empresária de sucesso.
      Se eu mandasse no destino, não só no meu, mas no de toda a humanidade, eu distribuiria igualmente as oportunidades, para que cada um pudesse escrever a sua própria história pelas suas próprias mãos, guiadas apenas pelas suas metas e ambições.
        Mas, sabem que mais? Eu não mando no destino; não mando no futuro; eu não mando no vosso futuro. Porém, como eu já referi anteriormente, posso influenciá-lo. Como tal, espero que hoje possam sair por aquela porta pessoas um bocadinho mais gratas, porque o presente que  vivemos é o futuro pelo qual  muitos lutam toda a vida para obter e,  porque nós temos o privilégio de poder afirmar que  somos os únicos responsáveis pelo nosso futuro, nós e só nós.
Apresentação oral da Beatriz Coelho

domingo, 6 de janeiro de 2019

Soneto da Separação


De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama

De repente não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo, distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente


Vinicius de Moraes



Rap do Frei Luís de Sousa

I
Era uma vez uma família, bem organizada:
Pai, mãe, filha e criado, feliz
Que morava num palacete em Almada.

II
Ela, Madalena, tinha um receio
Qu’o primeiro marido regressasse d’Álcáçer Quibir
E lhe estragasse o enleio.

III
D. João de Portugal era o nome que temia,
Pois de quem gostava mesmo
Era do Manuel e sua filha Maria.

IV
O criado Telmo não a fazia esquecer.
Amava o seu amo, D. João,
E alimentava a ilusão de o  tornar a ver.

V
Entre medos e terrores, lá vivia o dia a dia.
Com agoiros e presságios, rodeada dos amores…
Era feliz por um lado, mas pelo outro sofria.

VI
Nesta altura Portugal estava entregue aos espanhóis.
Manuel era patriota e o seu maior desejo
Era mandá-los a todos pastar caracóis.

VII
Quando alguns deles quiseram hospedar-se em sua casa,
Preferiu incendiá-la, transformou-a numa brasa.

VIII
Então foram habitar o antigo palacete
De D. João de Portugal,
O marido ausente.

IX
Vivo ou morto, onde estaria
Ao final de tantos anos?
E se ele regressasse e lhe estragasse os planos?

X
Mas um dia disfarçado de romeiro
Ele lá voltou. Esteve no cativeiro,
Em Jerusalém, mas lá ele não ficou.

XI
Ao regressar, D. João destruiu a união d’uma família feliz.
O casal foi p’ró convento
E algo de muito mau aconteceu à petiz.

XII
Maria, esta filha muito amada,
Foi a sua maior vítima.
Ficou sem o pai e a mãe, e tornou-se ilegítima.

XIII
Ao ver-se desamparada e já sem ninguém no mundo,
Morre bem envergonhada, num sofrimento profundo.

XIV
Assim acaba esta história de triste memória.
Manuel é Frei Luís de Sousa,
E não sei se mal ou bem,
Romeiro, quem és tu?
Eu sou ninguém, ninguém, ninguém…

Destino


terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Elementos românticos e clássicos em Frei Luís de Sousa

Elementos românticos em Frei Luís de Sousa

- Título da peça
- Crença no Sebastianismo
- Patriotismo/Nacionalismo
- Religiosidade ( catolicismo)
- Individualismo
- Tema da morte
- O final da peça
                                                                              A Linguagem
- Tom quase coloquial /fluente
- Abundância de pontuação (........................; ............................;...........................)
- Elipses(omissão de palavras); repetições
- Ausência do verso como língua dramática
                                                                  contrário

                                                                                À linguagem altiva, rebuscada, complexa e abstrata do teatro clássico



Elementos clássicos em Frei Luís de Sousa

- Elementos trágicos

- Lei das três unidades 

- Personagens sublimes 

- Número reduzido de personagens