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domingo, 20 de janeiro de 2019

domingo, 6 de janeiro de 2019

Soneto da Separação


De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama

De repente não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo, distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente


Vinicius de Moraes



Rap do Frei Luís de Sousa

I
Era uma vez uma família, bem organizada:
Pai, mãe, filha e criado, feliz
Que morava num palacete em Almada.

II
Ela, Madalena, tinha um receio
Qu’o primeiro marido regressasse d’Álcáçer Quibir
E lhe estragasse o enleio.

III
D. João de Portugal era o nome que temia,
Pois de quem gostava mesmo
Era do Manuel e sua filha Maria.

IV
O criado Telmo não a fazia esquecer.
Amava o seu amo, D. João,
E alimentava a ilusão de o  tornar a ver.

V
Entre medos e terrores, lá vivia o dia a dia.
Com agoiros e presságios, rodeada dos amores…
Era feliz por um lado, mas pelo outro sofria.

VI
Nesta altura Portugal estava entregue aos espanhóis.
Manuel era patriota e o seu maior desejo
Era mandá-los a todos pastar caracóis.

VII
Quando alguns deles quiseram hospedar-se em sua casa,
Preferiu incendiá-la, transformou-a numa brasa.

VIII
Então foram habitar o antigo palacete
De D. João de Portugal,
O marido ausente.

IX
Vivo ou morto, onde estaria
Ao final de tantos anos?
E se ele regressasse e lhe estragasse os planos?

X
Mas um dia disfarçado de romeiro
Ele lá voltou. Esteve no cativeiro,
Em Jerusalém, mas lá ele não ficou.

XI
Ao regressar, D. João destruiu a união d’uma família feliz.
O casal foi p’ró convento
E algo de muito mau aconteceu à petiz.

XII
Maria, esta filha muito amada,
Foi a sua maior vítima.
Ficou sem o pai e a mãe, e tornou-se ilegítima.

XIII
Ao ver-se desamparada e já sem ninguém no mundo,
Morre bem envergonhada, num sofrimento profundo.

XIV
Assim acaba esta história de triste memória.
Manuel é Frei Luís de Sousa,
E não sei se mal ou bem,
Romeiro, quem és tu?
Eu sou ninguém, ninguém, ninguém…

Destino


terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Elementos românticos e clássicos em Frei Luís de Sousa

Elementos românticos em Frei Luís de Sousa

- Título da peça
- Crença no Sebastianismo
- Patriotismo/Nacionalismo
- Religiosidade ( catolicismo)
- Individualismo
- Tema da morte
- O final da peça
                                                                              A Linguagem
- Tom quase coloquial /fluente
- Abundância de pontuação (........................; ............................;...........................)
- Elipses(omissão de palavras); repetições
- Ausência do verso como língua dramática
                                                                  contrário

                                                                                À linguagem altiva, rebuscada, complexa e abstrata do teatro clássico



Elementos clássicos em Frei Luís de Sousa

- Elementos trágicos

- Lei das três unidades 

- Personagens sublimes 

- Número reduzido de personagens 

Frei Luís de Sousa



Origens do movimento romântico em Portugal

Em Portugal, o Romantismo está diretamente ligado às lutas liberais, porque os escritores românticos mais representativos deste movimento estético – Garrett e Herculano – foram combatentes liberais. Qualquer destes escritores foi exilado político na altura das lutas liberais, tendo vivido em França e Inglaterra. Ao regressarem, trouxeram consigo os ideais deste novo movimento estético-literário que introduziram em Portugal.
Assim, é o poema Camões de Garrett, publicado em Paris em 1825, que assinala o início do Romantismo em Portugal.

Características do Romantismo

1. O individualismo – O “eu” é o valor máximo para os românticos. Por isso, o romântico afirma o culto da personalidade (egocentrismo), da expressão espontânea de sentimentos, do confessionalismo e a subjectividade.

2. O idealismo – O romântico aspira ao infinito e a um ideal que nunca é atingido. Por isso, valoriza o devaneio e o sonho.

3. A inadaptação social – Por isso, mantêm uma atitude de constante desprezo e rebeldia face à realidade e às normas estabelecidas, considerando-se inadaptado e vítima do destino.

4. Privilegia a liberdade como um valor máximo – Contrariamente ao classicismo que cultiva a razão, o romântico cultiva o sentimento e a liberdade, daí a expressão “Viva a liberdade!”.

5. A atração pela melancolia, pela solidão e pela morte como solução para todos os males.

6. A sacralização do amor – O amor é um sentimento vivido de forma absoluta, exagerada e contraditória, precisamente por ser um ideal inatingível. A mulher ou é um ser angelical bom (mulher-anjo, que leva à salvação), ou é um ser angelical mau (mulher-demónio, que leva à perdição).

7. O “mal du siède” ou o “spleen” – É o pessimismo, o cansaço doentio e melancólico, a solidão, uma espécie de desespero de viver, resultante da posição idealista que mantém perante a vida. Por isso, o romântico é sempre um ser incompreendido que cultiva o sofrimento e a solidão.

8. O gosto pela natureza noturna – Para os românticos, a natureza é a projecção do seu estado de alma, em geral tumultuoso e depressivo. Assim, esta é representada de forma invernosa, sombria, agreste, solitária e melancólica (“locus horrendus”), contrariamente ao “locus amoenus” dos clássicos, que é uma natureza luminosa, harmoniosa e primaveril. Esta natureza noturna traduz a atracção que o romântico tem pela própria morte.

9. O amor a tudo o que é popular e nacional – Para o romântico, é no povo que reside a alma nacional. Daí o gosto pela Idade Média, pelas lendas, pelas tradições, pelo folclore, por tudo o que é nacional.

10. A linguagem é declamativa e teatral, porém o vocabulário é muitas vezes mais corrente e familiar.

Frei Luís de Sousa

Características do teatro clássico

As principais características da tragédia antiga são as seguintes:

1. Na tragédia antiga, o Homem é um mero joguete do Destino. Este é uma força superior que age de forma inexorável sobre o protagonista, sem que ele tenha qualquer culpa.
2. Dividia-se em prólogo, três atos e epílogo.
3. Tem poucas personagens (três). Estas são nobres de sentimentos ou de condição social.
4. A ação dispõe-se sempre em gradação crescente, terminando num clímax.
5. Contém sempre vários elementos essenciais – o desafio, o sofrimento, o combate, o Destino, a peripécia, o reconhecimento, a catástrofe e a catarse.
6. Existia um coro que tinha como função comentar e anunciar o desenrolar dos acontecimentos.
7. A tragédia clássica obedece à lei das três unidades – unidade de espaço (não há em geral mudança de cenário e os acontecimentos passam-se todos no mesmo lugar), unidade de tempo (todos os acontecimentos têm de se desenrolar nos espaço de 24 horas, mostrando que a ação do Destino é imperativa e fulminante) e unidade de ação (a tragédia antiga exige que o espectador se centre apenas no problema central, sem desvio para ações secundárias).
8. A linguagem da tragédia é em verso

Elementos essenciais da tragédia

A Hybris  O desafio
Consiste num desafio que o protagonista realiza, após um momento de crise. Tal desafio pode ser contra a lei dos deuses, a lei da cidade, as leis e os direitos da família, ou, finalmente, contra as leis da natureza.

O Pathos  O sofrimento
A sua decisão, o seu desafio, a sua revolta, têm como consequência o seu sofrimento, que ele aceita e que lhe é imposto pelo Destino e executado pelas Parcas. Tal sofrimento será progressivo.

O Agón  O combate
É o combate ou a luta que nasce do desafio e se desenrola na oposição de homens contra deuses, de homens contra homens ou de homens contra ideias. Pode ser físico, psicológico, individual ou coletivo. O conflito é a alma da tragédia.

A Anankê O Destino
É o Destino, sombria potestade a que nem aos deuses é permitido desobedecer. É, pois, cruel, implacável e inexorável.

A Peripéteia  A peripécia
É a súbita mutação dos sucessos, no contrário. A peripécia é, pois, um acontecimento quase sempre imprevisto que altera completamente o rumo da ação, invertendo a marcha dos acontecimentos e precipitando o desenlace.

A Anagnórisis   O reconhecimento
É o aparecimento de um lado novo, quase sempre a identificação de uma personagem culta. Para Aristóteles, o reconhecimento devia dar-se juntamente com a peripécia.

A Katastophé A catástrofe
Desenlace fatal onde se consuma a destruição das personagens. A catástrofe deve vir indiciada desde o início, dado que ela é a conclusão lógica da luta entre a Hybris e a Anankê, luta que é crescente (clímax) e atinge o ponto culminante (acmê) na anagnórise.

A Katársis  A catarse
É o efeito completo da representação trágica que visa purificar os espectadores de paixões semelhantes às dos protagonistas, pelo terror e pela piedade.

Características do drama romântico

1. Foi criado por Victor Hugo, o grande mestre do Romantismo francês.
2. O Romantismo valoriza a ação do Homem, por isso o herói já não é joguete do destino, mas das próprias paixões humanas.
3. O drama romântico pretende fazer uma maior aproximação da realidade. Assim Victor Hugo propõe uma aproximação entre o sublime e o grotesco, conforme a vida real. Tem também preferência por temas nacionais.
4. A linguagem deverá corresponder à realidade e por isso é em prosa.
5. A personagem imaginária constituída pelo coro desaparece.

Génese de Frei Luís de Sousa

Manuel de Sousa Coutinho, nascido em 1556, era fidalgo de linhagem e levou uma vida acidentada por terras de África e de Ásia. Consta que lançara fogo ao seu palácio de Almada, em 1599, por divergências políticas ou pessoais com os governadores do Reino em nome dos Filipes. Casara com D. Madalena de Vilhena, anteriormente mulher de D. João de Portugal, que morreu em Alcácer Quibir, em 4 de Agosto de 1578. O seu biógrafo Frei António da Encarnação regista a tradição segundo a qual a entrada de ambos os cônjuges na ordem dominicana, em 1612, se deveria ao regresso inesperado de D. João de Portugal.

 No convento, Frei Luís de Sousa tem então oportunidade de se dedicar ao culto das letras, revelando-se como prosador e historiador, um dos maiores vultos da literatura e da historiografia portuguesa dos finais do século XVI e dos princípios do século XVII.

Em 1619 saiu a público a Vida de D. Frei Bartolomeu dos Mártires, que deu origem a comentários elogiosos em Portugal e no estrangeiro e em 1623 a História de S. Domingos. 

Já com setenta e cinco anos é encarregado por Filipe III de escrever a história de D. João III, que sob o título de Anais de D. João III só foi publicado em 1844, ainda que incompleto, por Alexandre Herculano.

Frei Luís de Sousa faleceu em 5 de Maio de 1632 no Convento de S. Domingos de Benfica, ficando sepultado em campa rasa da sua igreja.

domingo, 18 de novembro de 2018

Características do Romantismo

O Romantismo é um movimento cultural (literatura, artes plásticas,  música e arquitetura) que surgiu na Europa entre o final do século XVIII e início do século XIX, principalmente na Alemanha, na Inglaterra e na Itália. Porém o país que aderiu com maior força este movimento foi a França.

 Seis grandes do Romantismo Inglês:

William Blake (1757-1827)
William Wordsworth (1770-1850)
Samuel Taylor Coleridge (1772-1834)
Lord Byron (1788-1824)
Percy B. Shelley (1792-1822)
John Keats (1795-1821)
Os 3 primeiros nomes pertencem à chamada primeira geração, enquanto que os 3 últimos fazem parte da segunda geração.

Grandes românticos franceses e alemães
Victor Hugo
Alexandre Dumas                      Goethe


Compositores românticos

Gustav Mahler - 1860/1911
Geuseppe Verdi - 1813/1901
Sergei V. Rachmaninov - 1873/1943
Louis Hector Berlioz - 1803/1869
F. Schubert 1797 - 1828
F. Mendelssohn 1809 - 1847
F. Chopin 1810 - 1849
R. Schumann 1810 - 1856
F.Liszt 1811 - 1886
R. Wagner 1813 - 1883
J. Brahms 1838 - 1897
Tchaikovsky 1840 - 1893





                   Origens do movimento romântico em Portugal

Em Portugal, o Romantismo está diretamente ligado às lutas liberais, porque os escritores românticos mais representativos deste movimento estético – Almeida Garrett e Alexandre Herculano – foram combatentes liberais. Qualquer destes escritores foi exilado político na altura das lutas liberais, tendo vivido em França e Inglaterra. Ao regressarem, trouxeram consigo os ideais deste novo movimento estético-literário que introduziram em Portugal.
Assim, é o poema Camões de Garrett, publicado em Paris em 1825, que assinala o início do Romantismo em Portugal.




                                                Características do Romantismo

1. O individualismo – O “eu” é o valor máximo para os românticos. Por isso, o romântico afirma o culto da personalidade (egocentrismo), da expressão espontânea de sentimentos, do confessionalismo e a subjectividade.

2. O idealismo – O romântico aspira ao infinito e a um ideal que nunca é atingido. Por isso, valoriza o devaneio e o sonho.

3. A inadaptação social – Por isso, mantêm uma atitude de constante desprezo e rebeldia face à realidade e às normas estabelecidas, considerando-se inadaptado e vítima do destino.

4. Privilegia a liberdade como um valor máximo – Contrariamente ao classicismo que cultiva a razão, o romântico cultiva o sentimento e a liberdade, daí a expressão “Viva a liberdade!”.

5. A atracção pela melancolia, pela solidão e pela morte como solução para todos os males.

6. A sacralização do amor – O amor é um sentimento vivido de forma absoluta, exagerada e contraditória, precisamente por ser um ideal inatingível. A mulher ou é um ser angelical bom (mulher-anjo, que leva à salvação), ou é um ser angelical mau (mulher-demónio, que leva à perdição).

7. O “mal du siède” ou o “spleen” – É o pessimismo, o cansaço doentio e melancólico, a solidão, uma espécie de desespero de viver, resultante da posição idealista que mantém perante a vida. Por isso, o romântico é sempre um ser incompreendido que cultiva o sofrimento e a solidão.

8. O gosto pela natureza noturna – Para os românticos, a natureza é a projecção do seu estado de alma, em geral tumultuoso e depressivo. Assim, esta é representada de forma invernosa, sombria, agreste, solitária e melancólica (“locus horrendus”), contrariamente ao “locus amoenus” dos clássicos, que é uma natureza luminosa, harmoniosa e primaveril. Esta natureza nocturna traduz a atracção que o romântico tem pela própria morte.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Capítulo III

Louvores em particular
• Curava a cegueira
• O coração expulsa
os demónios
PEIXE DE
TOBIAS
"o fel era bom para curar da ce...Louvores em particular
• tão pequeno no corpo e
tão grande na força e no
poder;
RÉMORA
"(...) se se pega ao leme de uma na...

Louvores em particular
• descarga elétrica que faz
tremer o braço do
pescador;
TORPEDO
"Está o pescador com a cana na mão,...Louvores em particular
• dois olhos voltados para cima para
se vigiarem das aves
• dois olhos voltados para baixo para
se ...

terça-feira, 18 de setembro de 2018

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Amor de Perdição

Em Amor de Perdição encontramos o traço principal da novelística passional de Camilo: a conceção do amor como uma espécie de destino, de fatalidade, que domina e orienta e define a vida (e a morte) das personagens principais.

Marcado pela transcendência, esse amor trará consigo sempre um equivalente de sofrimento e de infelicidade: ou porque a paixão choca frontalmente com as necessidades do mundo social, ou porque significa, em última análise um desejo de recuperar o paraíso na terra.

As personagens desfilam como “mártires do amor” que, no sofrimento, encontram a razão de ser e o sentido mais profundo da sua vida.

A obra acabou por se tornar uma espécie de Romeu e Julieta lusitano. Tem o traço shakespeareano onde as nobres famílias Botelho e Albuquerque vêem o ódio mútuo ameaçado pelo amor entre Simão Botelho e Teresa Albuquerque.
Simão - o herói romântico, cujos erros passados são redimidos pelo amor .
Teresa - a heroína firme e resoluta no seu sentimento de devoção ao amado. 
 Mariana -, a mais romântica das personagens, tendo em vista a abnegação.
Todos representam a dimensão amorosa, o sentimento da paixão, ao qual se opõe o mundo exterior, a sociedade com sua hipocrisia.

A apresentação de Simão Botelho pelo narrador é essencialmente romântica: é feita de um modo a parecer real, verdadeira, e não ficcional. Os escritores românticos serviam-se de recursos como este presente em Amor de Perdição para que suas obras tivessem maior credibilidade, conquistassem a confiança do leitor.

Os elementos realistas de Amor de Perdição estão na crítica às instituições religiosas, os conventos, e no comportamento não-passional de alguns personagens secundários, como João da Cruz, É possível perceber estes elementos nas passagens da obra em que o narrador denuncia a corrupção do convento de Viveu e enfatiza a lealdade, o senso prático, a sensatez de João da Cruz, relativizando assim a passionalidade predominante no romance.

Esta obra caracteriza-se por um narrador omnisciente, isto é, um narrador que desvenda o universo interior dos personagens, sabendo mais do que eles próprios, o que lhes passa pela mente e pelo coração, na medida em que ele não só revela mas também comenta os sentimentos e comportamentos dos personagens, deixando claro o seu ponto de vista a favor dos que amam e contra os que impedem a realização do amor.

A estrutura de Amor de Perdição é resumida pelo narrador na introdução da obra da seguinte forma: “amou, perdeu-se e morreu amando”.

Introdução “amou” -Apresentação global do infortúnio de Simão Botelho – o degredo.

Desenvolvimento “perdeu-se”- • Amor de Simão e Teresa – correspondido, mas proibido. • Amor de Mariana por Simão – não correspondido. • Assassínio de Baltazar Coutinho. • Condenação de Simão ao degredo. • Ida de Teresa para o Convento. • Morte de Teresa.

Conclusão “morreu amando”  • Morte de Simão. • Suicídio de Mariana.


Simão Botelho-  A princípio mostra-se como um rebelde de temperamento incontrolável e cruel. Um grande perturbador e agitador da ordem pública e uma fonte interminável de desgostos para os seus pais. Modifica o seu comportamento de forma brusca quando começa a nutrir sentimentos pela jovem vizinha Tereza de Albuquerque. O amor  transforma-o, redime-o, modifica-o, apresentando Simão a partir de então um caráter cheio de virtudes e um sentimento realmente puro e verdadeiro. Torna-se honesto, estudioso e responsável, pois deseja obter condições de sustento para viver com a amada. O único sentimento que Simão não perde apesar de toda a transformação é o sentimento de vingança que culmina com o assassinato de Baltazar Coutinho, primo de Tereza. A passionalidade de Simão também é recuperada a partir deste episódio na medida e que ele foge das tentativas de absolvição deste crime declarando-se sempre como culpado e demonstrando-se firme e obstinado. Simão é o estereótipo do típico herói romântico, pois é rebelde, insatisfeito, anseia por um amor absoluto que só poderá atingir depois da morte. 
O herói romântico vive em conflito com a sociedade opressora, de modo que a sua atitude oscila entre um ser ora marginalizado, desregrado, ora dotado de virtudes, justamente como forma de rebelar-se contra tal realidade.

Tereza de Albuquerque é a protagonista feminina. Uma jovem de apenas quinzes anos que se apaixona de forma proibida pelo vizinho Simão Botelho. Tereza, aparentemente frágil, assim como o amado, sustenta uma personalidade de caráter firme e resoluto que enfrenta tudo e todos pelo seu sentimento. Atua de forma inflexível perante as sucessivas ameaças do seu pai, um homem cruel e autoritário. Ela não age diretamente como Simão (devido principalmente a condição subjugada a mulher de sua época), porém demonstra a mesma obstinação do amado, preferindo até mesmo o martírio, o enclausuramento e até a perda a vida do que ceder a vontade de um casamento forçado pelo seu pai. Age guiada somente pelo amor. Por estas e outras características, Tereza assume a posição de heroína romântica.

 Mariana é a terceira peça principal desta história formando o  triângulo amoroso mesmo que de forma não correspondida e indireta. É uma moça humilde, abnegada e triste, sendo considerada como a personagem mais romântica. Cuida de Simão com extremo devotamento quando este mais necessita, passando a nutrir um amor puro, mas sem esperanças, que tudo suporta e tudo perdoa até mesmo a paixão deste por Tereza. O seu amor é sublimado, dedicado, fazendo esta de tudo para ajudar o amado, tornando-se até mesmo cúmplice da sua paixão proibida, nunca rivalizando com Tereza. Quando Simão é preso, Mariana abandona o pai e passa a viver na sua companhia na prisão. A sua entrega culmina com seu suicídio quando se lança ao mar ao ver o corpo de Simão ser lançado. Ela é a própria personificação do espírito de sacrifício.