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domingo, 12 de janeiro de 2025

SOLUÇÕES MANUAL

 







2.1 Nesta cena, o leitor/espectador fica a saber que, após ter incendiado o seu palácio para afrontar os governadores ao serviço de Espanha, Manuel de Sousa Coutinho teve de se esconder para não ser punido pelo seu ato. Contudo, «oito dias» volvidos, os governantes foram persuadidos a esquecer a afronta e operigo que pairava sobre o pai de Maria desvaneceu-se.


3. Madalena ficou inicialmente muito inquieta com o incêndio do palácio onde vivia e com a mudança da família para o palácio do seu primeiro marido; ficou também bastante receosa por Manuel de Sousa ter desafiado os governadores do reino. Contudo, nesta cena, está mais serena («dorme em sossego»), porque os governadores já não pretendem punir Manuel de Sousa e porque estar no palácio de D. João já não a deixa em sobressalto.

4. Inicialmente, Telmo revela consideração e estima por Manuel de Sousa, mas não tem por ele a reverência que nutria pelo primeiro amo, D. João. Contudo, após Sousa Coutinho ter dado provas do seu elevado patriotismo, ao incendiar o próprio palácio, nasce no velho aio uma admiração enorme e um grande respeito pelo segundo amo. 

5.1 A destruição do retrato de Manuel, pelas chamas, e a presença do retrato de D. João são vistos como prenúncios de desgraça. Estes presságios inspiram grande receio e inquietação em D. Madalena e em Maria, que veem neles sinais de uma tragédia que se abaterá sobre a família. 
6. Os três retratos destacados na sala (de D. Sebastião, de D. João de Portugal e de Camões) aludem à ideia do velho Portugal, que sofreu um golpe fatal na batalha de Alcácer Quibir (e veio a perder a independência). Essa realidade que desapareceu é aqui representada pela sua figura de proa, o rei), por um destacado membro da nobreza (D. João) e pelo poeta que celebrou a antiga glória do reino e do império (Camões). 

                                           Gramática


Soluções págs. 120 e 121

1. Nas cenas IV e V, Frei Jorge confirma a D. Manuel de Sousa Coutinho já não haver perigo de retaliações por parte dos governadores. D. Madalena, já restabelecida e bem-disposta, junta-se aos demais. No entanto, a sua boa-disposição é passageira, pois fica apreensiva ao saber que o marido tem de ir a Lisboa, agradecer ao arcebispo, e que Maria tenciona acompanhar o pai para conhecer Soror Joana. As apreensões aumentam por ser sexta-feira, dia que ela considera fatídico. 


2. D. Madalena insiste para que Telmo a acompanhe, uma vez que quer evitar a repetição das acusações feitas por Telmo (por exemplo, no diálogo da cena II do ato I), não querendo relembrar as razões da sua angústia: as dúvidas que a assaltam relativamente a D. João.



3. D. Madalena revela-se muito carinhosa com Maria e zelosa pelo seu bem-estar, procurando que nada lhe aconteça. Maria, por sua vez, tenta acalmar a mãe; no entanto, sente-se profundamente abalada com a tristeza que esta deixa transparecer. 

4. A evocação de D. Joana de Castro surge a propósito de Maria a querer conhecer. D. Madalena admira-a pela força e pela virtude demonstradas na abdicação dos bens e amor terrenos. Não se vê capaz de tais «perfeições», considerando a atitude dos condes como uma assunção de morte. Poder-se-á deduzir, das suas palavras, um pressentimento da sua própria desgraça, o estabelecimento de um paralelo entre a sua situação e a de Soror Joana: a separação do homem que ama. 

5. O monólogo de Frei Jorge na cena IX coloca em evidência a sua apreensão face à situação vivenciada. As suas palavras denunciam que a racionalidade que o caracteriza, bem como a sua constante rejeição de agouros, são postas em causa pelo ambiente de desgraça que envolve a sua família, vendo-se ele próprio invadido pelo mesmo. Assim, o seu monólogo constitui mais um forte indício de um final trágico. 


6.1 Aquela sexta-feira é um «dia fatal» para D. Madalena por ter sido precisamente neste dia que: – casou pela primeira vez (com D. João de Portugal); – se deu a derrota em Alcácer Quibir, na qual desapareceram D. Sebastião e D. João de Portugal; – viu pela primeira vez Manuel de Sousa Coutinho, por quem se apaixonou.

6.2 Com estas palavras, Madalena alude à instabilidade: – do tempo, referindo-se aos ventos e às marés; – da própria vida (até ao momento aparentemente calma), constituindo um indício das mudanças que se aproximam.

6.3 A ação localiza-se no dia 4 de agosto de 1599: o dia e o mês são os da batalha de Alcácer Quibir; a batalha deu-se em 1578; procurou-se D. João durante 7 anos; D. Madalena e Manuel de Sousa Coutinho estão casados há 14 anos, logo, passaram 21 anos. 

Gramática pág. 121



Soluções pág. 128

1. Nesta cena é anunciada a chegada de um romeiro, que diz ter um recado e que só o transmitirá a D. Madalena.

2. Estas cenas localizam-se no conflito da obra, correspondendo ao desenlace do ato II: o Romeiro conta a D. Madalena que o seu primeiro marido está vivo. Após ser interrogado por Frei Jorge, esta personagem identifica-se como «Ninguém», apontando para o retrato de D. João de Portugal.


3. Delimitação em dois momentos: a) diálogo em que o Romeiro revela o local onde viveu durante 20 anos, o seu sofrimento e a perda da família, tendo apenas um amigo; b) revelações do Romeiro acerca da existência de D. João de Portugal (o que D. Madalena fica a saber) e a correspondência de ser ele próprio D. João de Portugal (o que apenas Frei Jorge fica a saber). Indícios da identidade do peregrino: c) português; d) cativo da batalha de Alcácer Quibir; e) morou nos Santos Lugares durante 20 anos; f) todos pensam que está morto; g) perda da família; h) a importância atribuída ao dia de «Hoje». 

4. As didascálias espelham o crescendo de emoções de D. Madalena, à medida que o Romeiro vai fornecendo mais informações. O terror e o sofrimento vão-se apoderando da personagem, como se pode verificar nas didascálias «aterrada», «na maior ansiedade» e «espavorida». 


5.1 D. Madalena sai precipitadamente da sala, revelando-se profundamente aterrada ao tomar consciência da sua situação de pecado e da ilegitimidade da filha, cuja debilidade física a preocupa. A sua saída de cena é anterior à identificação da personagem do Romeiro com o retrato de D. João de Portugal, impossibilitando-a de um reconhecimento completo acerca de quem é de facto o Romeiro. 

6.1 «Ninguém» é um pronome indefinido, logo D. João de Portugal, quando se identifica através deste vocábulo, anula-se enquanto pessoa, já que não tem existência para os outros: a sua família construiu, a partir da sua «morte», uma nova estrutura familiar. 

7. a) O aparecimento do Romeiro. b) O Romeiro informa que D. João de Portugal está vivo. c) O duplo reconhecimento: D. Madalena apenas sabe que o primeiro marido está vivo; Frei Jorge sabe que o Romeiro é D. João de Portugal. d) A profunda dor de D. Madalena ao ouvir que o primeiro marido está vivo, o que conduzirá à destruição da sua nova família. 

1. Solução pág. 134
a) Espaço claustrofóbico, lugar de introspeção; 
b) Antecipação do destino do casal, que vai abraçar a vida espiritual; 
c) Solenidade que sugere morte; 
d) Despojamento dos bens materiais;
e) Associação ao sagrado e à Igreja; 
f) Referência ao ingresso de Manuel de Sousa Coutinho e de Madalena numa vida religiosa;
g) Final de um ciclo de vida de uma família, morte de Maria e nova existência de Manuel de Sousa Coutinho e de D. Madalena.

2.1 Manuel de Sousa Coutinho sente-se devastado pela situação da filha, responsabilizando-se pelo que sucedeu e pelo estado em que Maria se encontra: preocupam-no os efeitos da desgraça na sua frágil saúde e as consequências sociais da sua ilegitimidade.


2.2 A personagem assume ter errado por se ter casado com D. Madalena sem terem a prova cabal da morte do primeiro marido, apesar de este ter sido procurado durante sete anos (sem sucesso). Não assume, porém, ter cometido um crime, pois as suas ações foram praticadas agindo de boa-fé e sem consciência do crime de adultério que, involuntariamente, perpetrava.


3. Como modo de expiar a sua culpa, Manuel de Sousa e Madalena decidiram professar e ingressar em ordens eclesiásticas, abraçando a vida religiosa. Desta forma, «morrerão» para o mundo.

4. Manuel de Sousa está profundamente preocupado com o destino de Maria por dois motivos: por um lado, porque o estado de saúde da filha parece agravar-se; por outro, porque, como Maria nasceu em pecado (fruto de um adultério), está condenada à desonra e à infâmia.

5. Madalena sabe que D. João está vivo, embora não saiba ainda que o Romeiro é o seu primeiro marido.












Soluções, 




sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Frases da C




 






domingo, 24 de novembro de 2024

Frases da B








 

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

 

Correção do 1ºTeste, a partir das respostas dos alunos (turma B)

 


 GRUPO I


         1. Este excerto, que foi retirado do Sermão de Santo António aos Peixes, está situado no Capítulo III ao nível da estrutura externa e faz parte da primeira confirmação, ao nível da estrutura interna, quando o orador destaca os louvores dos peixes em particular.

 

 

2.         2. Neste excerto do Sermão de Santo António aos Peixes está presente o recurso expressivo alegoria. Esta alegoria está presente com o objetivo de usar o peixe Torpedo para criticar as atitudes dos homens. O peixe Torpedo é louvado por fazer tremer o braço dos pescadores com os seus choques ou descargas elétricas. O Torpedo simboliza o poder da palavra de Deus, que Santo António transmitia, pois apenas com as suas palavras conseguiu converter muitos pescadores a seguir a palavra de Deus. Neste capítulo, o padre vai louvar os peixes e, por contraste, criticar os homens. Neste caso, com o peixe Torpedo é criticado o facto de os homens pescarem muito e não terem medo das suas consequências, ou seja, exploram muito e roubam muito sem quererem saber das consequências dos seus atos, tal como podemos comprovar pelo texto “Tanto pescar e tão pouco tremer!” (l.8).

 

3.    3.1 Ao longo do excerto, é apresentado, várias vezes, o verbo pescar, tendo este um significado diferente, quer seja aplicado no “mar” ou na terra”. O uso do verbo pescar remete para o seu sentido literal, quando se menciona “no mar pescam-se as canas”; porém, adquire um valor polissémico quando Vieira refere que “na terra pescam as varas”, pois aqui ganha um novo sentido: a exploração entre seres humanos. Quando se diz, “pescam as ginetas; pescam as bengalas…pescam cidades e reinos inteiros” (l.14), significa que o Homem quanto mais poderoso é, mais se aproveita desse poder, explorando as pessoas das cidades e de reinos inteiros. Deste modo, o valor polissémico do verbo pescar, neste excerto, é explorar.



3.2  Pode detetar-se no excerto apresentado dois recursos estilísticos.

O primeiro, é o paralelismo anafórico, pois o orador, através da repetição do verbo “pescar”, pretende destacar a grande e contínua exploração que é feita por todos os homens, explorando os mais poderosos “ cidades e reinos inteiros”.

  O segundo recurso, é a enumeração, (ginetas, bengalas, bastões, cetros), o qual reforça também que a já citada exploração é feita por todas as pessoas, do mais fraco ao mais forte.

  Há, ainda, um terceiro recurso, a gradação crescente, que salienta que quanto mais poderoso se é, mais se explora em quantidade e poder.

 

 

4.         No capítulo III do Sermão, um dos peixes referidos é a rémora, comparando o padre António Vieira a força deste peixe, que não deixa as naus zarpar, porque se agarra a elas, com a língua de Santo António, que persuade os homens a não embarcar nas naus de maus hábitos, como a vingança. Assim, o alvo da crítica é para os homens que embarcam nas naus dos pecados, que vão com o seu intuito e sem bom senso. Esta crítica pode relacionar-se, na atualidade, com as pessoas que praticam as suas ações, sem usar a razão, cometendo más ações, mesmo sabendo que estão a errar. Por exemplo, os ditadores das nações, os consumistas, os que não apresentam uma atitude ecológica face ao planeta, entre tantos outros.

 

 

5.         No Sermão de Santo António conseguimos identificar o uso dos três objetivos da eloquência: docere (função pedagógica), delectare (função estética) e movere (função moralizadora).

Primeiramente, docere tem o objetivo de ensinar através do recurso a citações bíblicas, alusões a obras clássicas e sabedoria popular. Além disso, explica a estrutura do seu discurso e raciocínio, palavras em latim e conceitos complexos. Por exemplo, no texto, na citação “Vinte e dois pescadores destes se acharam acaso a um sermão de Santo António, e as palavras do Santo os fizeram tremer(...)”(ll.16 a 19), tem a função de ensinar com recurso a um exemplo de Santo António.

delectare tem a função de agradar através de recursos expressivos cativantes, como a interrogação retórica “Pode haver maior, mais breve e admirável efeito?”,(ll.3 e 4), dinamismo no discurso, artifícios teatrais e vivacidade na descrição.

Por último, movere tem o objetivo de persuadir os homens, através de um discurso apelativo (interjeições, interrogação retórica) para que estes sejam confrontados com os seus vícios e comportamentos. Temos como exemplo, “Pois é possível que pescando os homens cousas de tanto peso, lhes não trema a mão e o braço?!” ( ll.14  15).

Concluindo, o uso eficaz da eloquência tem como objetivo principal persuadir o auditório, para que este tenha noção das suas atitudes e as modifique.

 

 

(Agora só com as 120 palavras pedidas)

 

   No Sermão de Santo António conseguimos identificar o uso dos três objetivos da eloquência: docere (função pedagógica), delectare (função estética) e movere (função moralizadora).

    Primeiramente, docere tem o objetivo pedagógico, como se comprova no excerto, quando se refere as ações de Santo António.(ll.16 a 20)

   delectare tem a função de agradar através de recursos expressivos cativantes, como a interrogação retórica “Pode haver maior, mais breve e admirável efeito?” (ll. 3 e 4).

   Por último, movere tem o objetivo de persuadir os homens, através de um discurso apelativo para que estes sejam confrontados com os seus vícios e comportamentos. Temos como exemplo, a interrogação retórica “Pois é possível …lhes não trema a mão e o braço?!” ( ll.14  15).

 

 GRUPO II



 

 

1. A

2. B

3. C

4. C

5. C

6. D

7. B

8. A

9. Oração subordinada substantiva relativa completiva

 


Correção do 1ºTeste, a partir das respostas dos alunos (Turma C)

 



GRUPO I

 

1.    Este excerto, que foi retirado do Sermão de Santo António aos Peixes, está situado no Capítulo III ao nível da estrutura externa e faz parte da primeira confirmação, ao nível da estrutura interna, quando o orador destaca os louvores dos peixes em particular.

 

2.         2.      Tendo em conta o excerto, a alegoria nele presente prende-se com a rémora.

       A interpretação literal que podemos retirar é que este peixe se liga ao leme de uma nau, prendendo-a e amarrando-a, mesmo sendo “tão pequeno no corpo”.

      Porém, a intenção do orador é destacar a rémora como símbolo do poder da palavra (“tão grande na força e no poder”). A língua de Santo António é vista como uma rémora na terra, visto que tem a capacidade de domar as paixões humanas: soberba, cobiça, vingança e sensualidade. É, assim, feita uma crítica social à fraqueza do ser humano que, perante as paixões humanas, cede sempre à tentação de as escolher e de não obedecer à razão, pois não revela força suficiente para resistir às futilidades do mundo.

 

3.        No excerto, através da alegoria das naus, orador pretende criticar os vícios que elas representam, de modo a consciencializar o auditório dos seus erros para que os possa emendar.

   Assim, em primeiro lugar, faz referência à "Nau Soberba" (l.20), que representa o vício da arrogância, apresentada aqui como defeito dos fúteis. (“ velas inchadas do vento”).

   Em segundo lugar, a "nau Vingança" (l.24), que nos remete para o facto do ser humano ser vingativo e tem sempre "a artilharia abocada e os bota-fogos acesos" (l.24).

   Em último lugar, a "nau Cobiça" (l.27), que refere que somos ambiciosos em demasia e gananciosos, pois desejamos, às vezes com inveja, tudo o que não temos, acumulando bens materiais de que não necessitamos "sobrecarregada até às gáveas e aberta com o peso por todas as costuras…" (l. 28).

 

4.       Um dos recursos expressivos presentes no excerto é o quiasmo (“alvedrio-razão; razão-alvedrio). Este pretende destacar que a natureza do ser humano é composta por livre arbítrio e razão, já que o ser humano é dotado de racionalidade. Mas em vez de se guiar por ela, na maior parte das vezes, rejeita-a e prefere guiar-se pela vontade, agindo de forma menos própria para consigo e para com os outros.

 

5.       No capítulo V do Sermão de Santo António, são enumerados vários tipos de peixes com o intuito de evidenciar os seus vícios e, por semelhança, os defeitos dos homens.

        Um dos peixes referidos são os pegadores. Pegam-se aos peixes maiores e vivem à custa deles, pois usufruem da comida que estes caçam e nadam à boleia. No entanto, quando os maiores morrem, os pegadores morrem com eles.

      Estes peixes representam as pessoas oportunistas que se aproveitam umas das outras, revelando-se parasitas sociais, pois vivem à custa do outro e aproveitam-se dele, tornando-se ociosos e um fardo para a sociedade, dado em nada contribuírem para a sua evolução. Um bom exemplo, na atualidade, deste tipo de pessoas, são os que procuram a companhia dos mais ricos, na tentativa de beneficiarem com esse conhecimento ou, ainda, os que concorrem a reality shows apenas com o objetivo de se fazerem notados para disso tirarem dividendos sem muito esforço e trabalho.


6.    O Sermão de Santo António aos Peixes tem como objetivo sensibilizar os homens para que mudem os seus comportamentos condenáveis e, para isso, o orador usa os objetivos da eloquência, a fim de persuadir o auditório.

             Padre António Vieira recorre a três elementos para a eloquência do Sermão.

       Um deles é docere, que tem uma função didática e pedagógica. Para isso, usa exemplos de autoridade, como citações do foro sagrado, referência à vida exemplar de santos, textos bíblicos, obras de autores clássicos, bem como recorrência à realidade  observável  para fundamentar o seu ponto de vista.

       O segundo é movere, com uma função moralizadora, cujo objetivo é persuadir os homens a mudar as suas atitudes, emendando os seus erros. Para isso, emprega um discurso apelativo, usando interjeições, interrogações retóricas, apóstrofes, alteração do tom de voz e uso de recursos expressivos com esta finalidade.

     Por último, delectare, que cumpre uma função estética, usando recursos expressivos (alegoria, metáfora, comparação, anáfora, quiasmo…) para agradar aos ouvintes, de modo a que estes se interessem pela mensagem do orador.

       No excerto, podemos ver um exemplo do primeiro, quando Vieira refere o Apóstolo Santiago, “naquela sua eloquentíssima epístola, compara a língua ao leme da nau e ao freio do cavalo” (ll.11-13); de “movere” “Oh, se houvera uma rémora na terra que tivesse tanta força como a do mar, que menos perigos haveria na vida, e que menos naufrágios no mundo!” (ll.6-9); e de “delectare” “O leme da natureza é o alvedrio; o piloto é a razão: mas quão poucas vezes obedecem à razão os ímpetos precipitados do alvedrio?” (ll-16-17).

       Estes elementos conjugam-se simultaneamente de forma perfeita no Sermão de António Vieira.

(Agora só com as 120 palavras pedidas)

 

   O Sermão de Santo António aos Peixes visa sensibilizar os homens para a mudança de comportamentos condenáveis e, para isso, o orador usa os três objetivos da eloquência, a fim de persuadir o auditório.

   Um deles é docere, cuja função pedagógica pode ser comprovada no excerto, quando Vieira refere a epístola do Apóstolo Santiago (ll.11-13).

   O segundo é movere, com uma função moralizadora. Para isso, emprega um discurso apelativo, como se atesta em “Oh, se houvera uma rémora na terra(…) (ll.6-9).

  Por último, delectare, que cumpre uma função estética, usando recursos expressivos para agradar aos ouvintes, de modo a que estes se interessem pela mensagem do orador, conforme é visível no emprego do quiasmo, presente nas linhas 16 e 17.

 

GRUPO II

 

1. C

2. A

3. D

4. B

5. C

6. A

7. C

8. D

9. Oração coordenada adversativa

             

quinta-feira, 7 de novembro de 2024

Se eu fosse um peixe…

                                            Domínio da Escrita

                                                      Texto criativo

              Se eu fosse um peixe…

 

Agora que já conheces o Padre António Vieira e a importância que teve no seu tempo na denúncia das injustiças, pondo em destaque os vícios dos homens, desafio-te a imaginar, tendo em conta os teus defeitos e qualidades, que peixe serias, se pertencesses ao auditório do Sermão.

 

Vais redigir um texto criativo.

1. Faz uma pequena introspeção e regista os principais traços da tua personalidade.

2. Elabora um plano, onde, por tópicos, registes as características físicas, psicológicas e morais (qualidades e defeitos) que pensas ter.

3. Pesquisa um peixe que possua características que se adequem à tua personalidade.

4. Redige um texto no qual relaciones as características do peixe com as tuas.

5. Tenta ser criativo, utilizando recursos expressivos como os que encontraste no sermão, a fim de enriquecer e embelezar o teu texto.

6. Tem atenção à construção frásica e ao vocabulário utilizado.

7. Pontua devidamente o teu texto.

8. Deves entregar o teu texto à professora no prazo combinado. 

9. Bom trabalho e diverte-te!

         


Direitos Humanos

 

Domínio da Oralidade

                      DIREITOS HUMANOS

(No âmbito da Cidadania e Desenvolvimento)

 

Em pleno séc. XXI, as palavras do Padre António Vieira continuam atuais, denunciando as injustiças, atacando os poderes dominantes, revelando as grandes desigualdades que ainda imperam no nosso quotidiano. 

Vais preparar em grupo, até quatro elementos, uma apresentação oral em que investigues um tema sobre a violação dos direitos humanos.

 

1. Começa por pesquisar o tema escolhido.

2. Reúne a informação recolhida sobre o tema e organiza-a devidamente.

3. Escolhe uma forma de apresentar oralmente à turma esse tema.

4. Relaciona esse tema com alguma característica presente no Sermão de Santo António (aos Peixes).

5. Gere adequadamente o tempo da apresentação (3 a 5 minutos).

6. Tenta ser criativo na tua apresentação, experimentando formas diferentes de apresentar esse tema.

7. Bom trabalho!



 

sábado, 2 de novembro de 2024

Sermão

 Correção págs. 35 e 41



C. A retoma do conceito predicável justifica-se pelo facto de Vieira mudar de auditório, passando a dirigir-se aos peixes. Logo, explora novamente as funções do «sal», associando-as às do Sermão.

2. Através da apóstrofe «irmãos peixes», o pregador identifica o destinatário do seu sermão – os peixes –, dando continuidade à apresentação dos louvores, através de um discurso alegórico, no qual usa os peixes como exemplo de virtudes ou vícios humanos.
Ao considerar os peixes «irmãos», o pregador estabelece a ligação com os homens, que são, de facto, o seu auditório real e a quem quer (in)diretamente atingir. Constrói-se, assim, a alegoria: os peixes – elementos concretos – são louvados e criticados, porém, no plano abstrato, pretende-se criticar os seres humanos.


3. No quarto parágrafo, Vieira elogia a atitude dos peixes, que vivem afastados dos homens, não se deixando domesticar, considerando que «se não fora natureza era grande prudência» (l. 39), numa clara crítica aos
homens, corrompidos e corruptores. Neste sentido, o episódio do Dilúvio constitui um exemplo de autoridade que comprova a opinião do pregador: só os peixes escaparam ao castigo universal, porque, de todos os animais do ar e da terra, apenas eles se mantiveram puros, longe do homem e da sua corrupção.

3.1 SugestãoHá a presença do objetivo docere, através das referências a autores clássicos (l. 29), a exemplos bíblicos (l. 50) e Doutores da Igreja (l. 56). Está ainda presente o objetivo movere, através do conselho aos peixes para se manterem afastados dos homens (ll. 40-41), bem como a constatação de que o seu afastamento é a atitude mais prudente (destaque-se o uso do imperativo e do vocativo na linha 58).

4. 
a) 1; 
b) 2; 
c) 3

Página 41

«Ah moradores do Maranhão, quanto eu vos pudera agora dizer neste caso! Abri, abri estas entranhas; vede, vede este coração. Mas ah sim, que me não lembrava! Eu não vos prego a vós, prego aos peixes.» (ll. 35-37)
– «Se eu pregara aos homens, e tivera a língua de Santo António, eu os fizera tremer.» (ll. 81-82)


3. 
a) 3; 
b) 2; 
c) 1.