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domingo, 17 de março de 2019
CONTRARIEDADES
Eu hoje estou cruel, frenético, exigente;
Nem posso tolerar os livros mais bizarros.
Incrível! Já fumei três maços de cigarros
Consecutivamente.
Dói-me a cabeça. Abafo uns desesperos mudos:
Tanta depravação nos usos, nos costumes!
Amo, insensatamente, os ácidos, os gumes
E os ângulos agudos.
Sentei-me à secretária. Ali defronte mora
Uma infeliz, sem peito, os dois pulmões doentes;
Sofre de faltas de ar, morreram-lhe os parentes
E engoma para fora.
Pobre esqueleto branco entre as nevadas roupas!
Tão lívida! O doutor deixou-a. Mortifica.
Lidando sempre! E deve a conta na botica!
Mal ganha para sopas...
O obstáculo estimula, torna-nos perversos;
Agora sinto-me eu cheio de raivas frias,
Por causa de um jornal me rejeitar, há dias,
Um folhetim de versos.
Que mau humor! Rasguei uma epopeia morta
No fundo da gaveta. O que produz o estudo?
Mais duma redação, das que elogiam tudo,
Me tem fechado a porta.
A crítica segundo o método de Taine
Ignoram-na. Juntei numa fogueira imensa
Muitíssimos papéis inéditos. A imprensa
Vale um desdém solene.
Com raras exceções merece-me o epigrama.
Deu meia-noite; e em paz pela calçada abaixo,
Soluça um sol-e-dó. Chuvisca. O populacho
Diverte-se na lama.
Eu nunca dediquei poemas às fortunas,
Mas sim, por deferência, a amigos ou a artistas.
Independente! Só por isso os jornalistas
Me negam as colunas.
Receiam que o assinante ingênuo os abandone,
Se forem publicar tais coisas, tais autores.
Arte? Não lhes convêm, visto que os seus leitores
Deliram por Zaccone.
Um prosador qualquer desfruta fama honrosa,
Obtém dinheiro, arranja a sua coterie;
E a mim, não há questão que mais me contrarie
Do que escrever em prosa.
A adulação repugna aos sentimentos finos;
Eu raramente falo aos nossos literatos,
E apuro-me em lançar originais e exatos,
Os meus alexandrinos...
E a tísica? Fechada, e com o ferro aceso!
Ignora que a asfixia a combustão das brasas,
Não foge do estendal que lhe umedece as casas,
E fina-se ao desprezo!
Mantém-se a chá e pão! Antes entrar na cova.
Esvai-se; e todavia, à tarde, fracamente,
Oiço-a cantarolar uma canção plangente
Duma opereta nova!
Perfeitamente. Vou findar sem azedume.
Quem sabe se depois, eu rico e noutros climas,
Conseguirei reler essas antigas rimas,
Impressas em volume?
Nas letras eu conheço um campo de manobras;
Emprega-se a reclame, a intriga, o anúncio, a blague,
E esta poesia pede um editor que pague
Todas as minhas obras
E estou melhor; passou-me a cólera. E a vizinha?
A pobre engomadeira ir-se-á deitar sem ceia?
Vejo-lhe luz no quarto. Inda trabalha. É feia...
Que mundo! Coitadinha!
domingo, 10 de março de 2019
Deslumbramentos e De Tarde
Milady, é perigoso contemplá-la,
Quando passa aromática e normal,
Com seu tipo tão nobre e tão de sala,
Com seus gestos de neve e de metal.
Sem que nisso a desgoste ou desenfade,
Quantas vezes, seguindo-lhe as passadas,
Eu vejo-a, com real solenidade,
Ir impondo toilettes complicadas!...
Em si tudo me atrai como um tesouro:
O seu ar pensativo e senhoril,
A sua voz que tem um timbre de ouro
E o seu nevado e lúcido perfil!
Ah! Como me estonteia e me fascina...
E é, na graça distinta do seu porte,
Como a Moda supérflua e feminina,
E tão alta e serena como a Morte!...
Eu ontem encontrei-a, quando vinha,
Britânica, e fazendo-me assombrar;
Grande dama fatal, sempre sozinha,
E com firmeza e música no andar!
O seu olhar possui, num jogo ardente,
Um arcanjo e um demónio a iluminá-lo;
Como um florete, fere agudamente,
E afaga como o pêlo dum regalo!
Pois bem. Conserve o gelo por esposo,
E mostre, se eu beijar-lhe as brancas mãos,
O modo diplomático e orgulhoso
Que Ana de Áustria mostrava aos cortesãos.
E enfim prossiga altiva como a Fama,
Sem sorrisos, dramática, cortante;
Que eu procuro fundir na minha chama
Seu ermo coração, como um brilhante.
Mas cuidado, milady, não se afoite,
Que hão de acabar os bárbaros reais;
E os povos humilhados, pela noite,
Para a vingança aguçam os punhais.
E um dia, ó flor do Luxo, nas estradas,
Sob o cetim do Azul e as andorinhas,
Eu hei-de ver errar, alucinadas,
E arrastando farrapos - as rainhas!
Cesário Verde, in 'O Livro de Cesário Verde'
De Tarde
Naquele «pic-nic» de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.
Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.
Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.
Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!
Cesário Verde (1855-1886)
O Livro de Cesário Verde
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.
Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.
Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.
Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!
Cesário Verde (1855-1886)
O Livro de Cesário Verde
terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
terça-feira, 22 de janeiro de 2019
Discurso Epistolar e Prosa Poética
Cartas trocadas entre Simão e Teresa
1.ª carta: comunicação da hipótese de Teresa vir a ser encerrada no convento; promessa de fidelidade.
2.ª carta: informação de que Teresa já sabe o que se passou com os criados de Baltasar (emboscada); pedido de confiança nela.
3.ª carta: relata a sua entrada no convento, mostra-se firme e faz um apelo ao amor de Simão.
4.ª carta: apelo à fidelidade do amor e à fuga do convento.
5.ª carta: pede a Simão que vá para Coimbra e desabafa sobre a corrupção que reina no convento.
6.ª carta: pede a Simão que não vá para Coimbra, com receio de ser transferida para outro convento mais rigoroso.
7.ª carta: escreve esta carta como se fosse à última da sua vida, comunica o desejo de matar Baltasar e despede-se de Teresa.
8.ª carta: informa que está à par dos acontecimentos, fala da morte como o fim terreno mas também como a possibilidade de se encontrarem no Céu.
9.ª carta: Simão informa Teresa de que há possibilidade de salvação, pois não vai ser enforcado. Alude ao destino que os une e pede-lhe para não morrer.
10.ª carta: monólogo em que Simão se auto-analisa. Aumenta a qualidade da prosa poética.
11.ª carta: Teresa pede a Simão que aceite os dez anos de cadeia.
12.ª carta: Simão informa Teresa de que aceita o degredo.
13.ª carta: Teresa informa Simão de que vai morrer e pede-lhe perdão. Despede- se dele até ao Céu.
14.ª carta: escrita nos últimos momentos da vida, Teresa recorda os projetos passados. Alude ao fatal destino e confessa que já o vê no Céu.
As cartas cumprem as funções seguintes:
-Servir de elo entre os dois amorosos;
-Informar o destinatário sobre os acontecimentos;
-Comunicar decisões tomadas;
-Persuadir o destinatário a adotar determinadas atitudes;
-Autojustificar os atos do destinador;
-Exprimir sentimentos.
domingo, 20 de janeiro de 2019
domingo, 6 de janeiro de 2019
Soneto da Separação
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama
De repente não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo, distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente
Vinicius de Moraes
Rap do Frei Luís de Sousa
I
Era uma vez uma família, bem organizada:
Pai, mãe, filha e criado, feliz
Que morava num palacete em Almada.
II
Ela, Madalena, tinha um receio
Qu’o primeiro marido regressasse d’Álcáçer Quibir
E lhe estragasse o enleio.
III
D. João de Portugal era o nome que temia,
Pois de quem gostava mesmo
Era do Manuel e sua filha Maria.
IV
O criado Telmo não a fazia esquecer.
Amava o seu amo, D. João,
E alimentava a ilusão de o tornar a ver.
V
Entre medos e terrores, lá vivia o dia a dia.
Com agoiros e presságios, rodeada dos amores…
Era feliz por um lado, mas pelo outro sofria.
VI
Nesta altura Portugal estava entregue aos espanhóis.
Manuel era patriota e o seu maior desejo
Era mandá-los a todos pastar caracóis.
VII
Quando alguns deles quiseram hospedar-se em sua casa,
Preferiu incendiá-la, transformou-a numa brasa.
VIII
Então foram habitar o antigo palacete
De D. João de Portugal,
O marido ausente.
IX
Vivo ou morto, onde estaria
Ao final de tantos anos?
E se ele regressasse e lhe estragasse os planos?
X
Mas um dia disfarçado de romeiro
Ele lá voltou. Esteve no cativeiro,
Em Jerusalém, mas lá ele não ficou.
XI
Ao regressar, D. João destruiu a união d’uma família feliz.
O casal foi p’ró convento
E algo de muito mau aconteceu à petiz.
XII
Maria, esta filha muito amada,
Foi a sua maior vítima.
Ficou sem o pai e a mãe, e tornou-se ilegítima.
XIII
Ao ver-se desamparada e já sem ninguém no mundo,
Morre bem envergonhada, num sofrimento profundo.
XIV
Assim acaba esta história de triste memória.
Manuel é Frei Luís de Sousa,
E não sei se mal ou bem,
Romeiro, quem és tu?
Eu sou ninguém, ninguém, ninguém…
Era uma vez uma família, bem organizada:
Pai, mãe, filha e criado, feliz
Que morava num palacete em Almada.
II
Ela, Madalena, tinha um receio
Qu’o primeiro marido regressasse d’Álcáçer Quibir
E lhe estragasse o enleio.
III
D. João de Portugal era o nome que temia,
Pois de quem gostava mesmo
Era do Manuel e sua filha Maria.
IV
O criado Telmo não a fazia esquecer.
Amava o seu amo, D. João,
E alimentava a ilusão de o tornar a ver.
V
Entre medos e terrores, lá vivia o dia a dia.
Com agoiros e presságios, rodeada dos amores…
Era feliz por um lado, mas pelo outro sofria.
VI
Nesta altura Portugal estava entregue aos espanhóis.
Manuel era patriota e o seu maior desejo
Era mandá-los a todos pastar caracóis.
VII
Quando alguns deles quiseram hospedar-se em sua casa,
Preferiu incendiá-la, transformou-a numa brasa.
VIII
Então foram habitar o antigo palacete
De D. João de Portugal,
O marido ausente.
IX
Vivo ou morto, onde estaria
Ao final de tantos anos?
E se ele regressasse e lhe estragasse os planos?
X
Mas um dia disfarçado de romeiro
Ele lá voltou. Esteve no cativeiro,
Em Jerusalém, mas lá ele não ficou.
XI
Ao regressar, D. João destruiu a união d’uma família feliz.
O casal foi p’ró convento
E algo de muito mau aconteceu à petiz.
XII
Maria, esta filha muito amada,
Foi a sua maior vítima.
Ficou sem o pai e a mãe, e tornou-se ilegítima.
XIII
Ao ver-se desamparada e já sem ninguém no mundo,
Morre bem envergonhada, num sofrimento profundo.
XIV
Assim acaba esta história de triste memória.
Manuel é Frei Luís de Sousa,
E não sei se mal ou bem,
Romeiro, quem és tu?
Eu sou ninguém, ninguém, ninguém…
terça-feira, 4 de dezembro de 2018
Elementos românticos e clássicos em Frei Luís de Sousa
Elementos românticos em Frei Luís de Sousa
- Título da peça
- Crença no
Sebastianismo
-
Patriotismo/Nacionalismo
- Religiosidade
( catolicismo)
- Individualismo
- Tema da morte
- O final da
peça
A
Linguagem
- Tom quase
coloquial /fluente
- Abundância de
pontuação (........................;
............................;...........................)
-
Elipses(omissão de palavras); repetições
- Ausência do
verso como língua dramática
contrário
À linguagem altiva, rebuscada, complexa e abstrata do teatro
clássico
Elementos clássicos em
Frei Luís de Sousa
- Elementos trágicos
- Lei das três unidades
- Personagens sublimes
Frei Luís de Sousa
Origens do movimento romântico em Portugal
Assim, é o poema Camões de Garrett, publicado em Paris em 1825, que assinala o início do Romantismo em Portugal.
Características do Romantismo
1. O individualismo – O “eu” é o valor máximo para os românticos. Por isso, o romântico afirma o culto da personalidade (egocentrismo), da expressão espontânea de sentimentos, do confessionalismo e a subjectividade.
2. O idealismo – O romântico aspira ao infinito e a um ideal que nunca é atingido. Por isso, valoriza o devaneio e o sonho.
3. A inadaptação social – Por isso, mantêm uma atitude de constante desprezo e rebeldia face à realidade e às normas estabelecidas, considerando-se inadaptado e vítima do destino.
4. Privilegia a liberdade como um valor máximo – Contrariamente ao classicismo que cultiva a razão, o romântico cultiva o sentimento e a liberdade, daí a expressão “Viva a liberdade!”.
5. A atração pela melancolia, pela solidão e pela morte como solução para todos os males.
6. A sacralização do amor – O amor é um sentimento vivido de forma absoluta, exagerada e contraditória, precisamente por ser um ideal inatingível. A mulher ou é um ser angelical bom (mulher-anjo, que leva à salvação), ou é um ser angelical mau (mulher-demónio, que leva à perdição).
7. O “mal du siède” ou o “spleen” – É o pessimismo, o cansaço doentio e melancólico, a solidão, uma espécie de desespero de viver, resultante da posição idealista que mantém perante a vida. Por isso, o romântico é sempre um ser incompreendido que cultiva o sofrimento e a solidão.
8. O gosto pela natureza noturna – Para os românticos, a natureza é a projecção do seu estado de alma, em geral tumultuoso e depressivo. Assim, esta é representada de forma invernosa, sombria, agreste, solitária e melancólica (“locus horrendus”), contrariamente ao “locus amoenus” dos clássicos, que é uma natureza luminosa, harmoniosa e primaveril. Esta natureza noturna traduz a atracção que o romântico tem pela própria morte.
9. O amor a tudo o que é popular e nacional – Para o romântico, é no povo que reside a alma nacional. Daí o gosto pela Idade Média, pelas lendas, pelas tradições, pelo folclore, por tudo o que é nacional.
10. A linguagem é declamativa e teatral, porém o vocabulário é muitas vezes mais corrente e familiar.
Frei Luís de Sousa
Características do teatro clássico
As principais características da tragédia antiga são as seguintes:
1. Na tragédia antiga, o Homem é um mero joguete do Destino. Este é uma força superior que age de forma inexorável sobre o protagonista, sem que ele tenha qualquer culpa.
2. Dividia-se em prólogo, três atos e epílogo.
3. Tem poucas personagens (três). Estas são nobres de sentimentos ou de condição social.
4. A ação dispõe-se sempre em gradação crescente, terminando num clímax.
5. Contém sempre vários elementos essenciais – o desafio, o sofrimento, o combate, o Destino, a peripécia, o reconhecimento, a catástrofe e a catarse.
6. Existia um coro que tinha como função comentar e anunciar o desenrolar dos acontecimentos.
7. A tragédia clássica obedece à lei das três unidades – unidade de espaço (não há em geral mudança de cenário e os acontecimentos passam-se todos no mesmo lugar), unidade de tempo (todos os acontecimentos têm de se desenrolar nos espaço de 24 horas, mostrando que a ação do Destino é imperativa e fulminante) e unidade de ação (a tragédia antiga exige que o espectador se centre apenas no problema central, sem desvio para ações secundárias).
8. A linguagem da tragédia é em verso
Elementos essenciais da tragédia
A Hybris O desafio
Consiste num desafio que o protagonista realiza, após um momento de crise. Tal desafio pode ser contra a lei dos deuses, a lei da cidade, as leis e os direitos da família, ou, finalmente, contra as leis da natureza.
O Pathos O sofrimento
A sua decisão, o seu desafio, a sua revolta, têm como consequência o seu sofrimento, que ele aceita e que lhe é imposto pelo Destino e executado pelas Parcas. Tal sofrimento será progressivo.
O Agón O combate
É o combate ou a luta que nasce do desafio e se desenrola na oposição de homens contra deuses, de homens contra homens ou de homens contra ideias. Pode ser físico, psicológico, individual ou coletivo. O conflito é a alma da tragédia.
A Anankê O Destino
É o Destino, sombria potestade a que nem aos deuses é permitido desobedecer. É, pois, cruel, implacável e inexorável.
A Peripéteia A peripécia
É a súbita mutação dos sucessos, no contrário. A peripécia é, pois, um acontecimento quase sempre imprevisto que altera completamente o rumo da ação, invertendo a marcha dos acontecimentos e precipitando o desenlace.
A Anagnórisis O reconhecimento
É o aparecimento de um lado novo, quase sempre a identificação de uma personagem culta. Para Aristóteles, o reconhecimento devia dar-se juntamente com a peripécia.
A Katastophé A catástrofe
Desenlace fatal onde se consuma a destruição das personagens. A catástrofe deve vir indiciada desde o início, dado que ela é a conclusão lógica da luta entre a Hybris e a Anankê, luta que é crescente (clímax) e atinge o ponto culminante (acmê) na anagnórise.
A Katársis A catarse
É o efeito completo da representação trágica que visa purificar os espectadores de paixões semelhantes às dos protagonistas, pelo terror e pela piedade.
Características do drama romântico
1. Foi criado por Victor Hugo, o grande mestre do Romantismo francês.
2. O Romantismo valoriza a ação do Homem, por isso o herói já não é joguete do destino, mas das próprias paixões humanas.
3. O drama romântico pretende fazer uma maior aproximação da realidade. Assim Victor Hugo propõe uma aproximação entre o sublime e o grotesco, conforme a vida real. Tem também preferência por temas nacionais.
4. A linguagem deverá corresponder à realidade e por isso é em prosa.
5. A personagem imaginária constituída pelo coro desaparece.
Génese de Frei Luís de Sousa
Manuel de Sousa Coutinho, nascido em 1556, era fidalgo de linhagem e levou uma vida acidentada por terras de África e de Ásia. Consta que lançara fogo ao seu palácio de Almada, em 1599, por divergências políticas ou pessoais com os governadores do Reino em nome dos Filipes. Casara com D. Madalena de Vilhena, anteriormente mulher de D. João de Portugal, que morreu em Alcácer Quibir, em 4 de Agosto de 1578. O seu biógrafo Frei António da Encarnação regista a tradição segundo a qual a entrada de ambos os cônjuges na ordem dominicana, em 1612, se deveria ao regresso inesperado de D. João de Portugal.
No convento, Frei Luís de Sousa tem então oportunidade de se dedicar ao culto das letras, revelando-se como prosador e historiador, um dos maiores vultos da literatura e da historiografia portuguesa dos finais do século XVI e dos princípios do século XVII.
Em 1619 saiu a público a Vida de D. Frei Bartolomeu dos Mártires, que deu origem a comentários elogiosos em Portugal e no estrangeiro e em 1623 a História de S. Domingos.
Já com setenta e cinco anos é encarregado por Filipe III de escrever a história de D. João III, que sob o título de Anais de D. João III só foi publicado em 1844, ainda que incompleto, por Alexandre Herculano.
Frei Luís de Sousa faleceu em 5 de Maio de 1632 no Convento de S. Domingos de Benfica, ficando sepultado em campa rasa da sua igreja.
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