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domingo, 23 de fevereiro de 2025

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 2. Inicialmente, o Romeiro procura a confirmação de Telmo quanto às diligências 

tomadas por D. Madalena no sentido de o encontrar (ll. 78-85), deixando transparecer 

uma profunda mágoa por a sua esposa ter entregado o seu coração a outro. Após Telmo 

aludir à injustiça deste juízo (l. 83), à virtude e honra de
D. Madalena e de confirmar essas diligências, D. João comunica ao velho escudeiro a 

sua «última resolução» de tentar solucionar a situação. Esta decisão afigurou-se a mais 

correta na alma do Romeiro, ao descobrir que o casal tinha uma filha, sentindo-se 

responsável pelo «mal feito» (l. 114).


3. D. João pede a Telmo que minta, que diga a todos que «o peregrino era um 

"impostor"» (l. 88) e que toda aquela situação era um «grosseiro embuste» (l. 89) 

criado pelos inimigos de Manuel de Sousa Coutinho, decidindo desaparecer para sempre

 – «Até ao dia de juízo» (l. 111).

Segundo o Romeiro, tal informação, dita por Telmo, teria «dobrada força» 
(l. 120). Inicialmente, Telmo rejeita participar neste plano, por implicar renegar
 o seu «filho», D. João de Portugal, a quem amava e era fiel; no entanto, acaba
 por ceder à vontade do Romeiro, sobretudo pelo amor «maior» pela 
«outra filha», Maria. 

4. O Romeiro, ao ouvir D. Madalena chamar pelo seu 
«esposo» (l. 129), por breves instantes fica feliz e esperançoso, pensando 
que é a si que ela se dirige, e sente-se tentado a abrir-lhe a porta. Porém, 
quando D. Madalena nomeia «Manuel», chamando-lhe «meu amor» (l. 137), 
fica furioso e destroçado, dirigindo-se para a porta; contudo, cai em si e, 
resignado, reafirma a sua decisão, saindo «com violência» de cena (l. 140). 

5. D. João de Portugal encerra em si as virtudes do cavaleiro cristão: mostra 
amor pelo seu rei e pela sua pátria, combate contra os inimigos da fé, pela
 qual coloca em risco a sua vida, sujeitando-se a maus-tratos, privações, 
distância e «saudades» da esposa durante «vinte anos». Revela generosidade
 e grandeza de alma ao não querer «desonrar a sua viúva» (l. 119), preferindo,
 apesar de sentir frustração e mágoa pela perda da sua esposa, passar por 
«impostor», apagando-se voluntariamente, para tentar remediar o problema 
que o seu regresso gerou.

Pág.145

 1. O espaço que se revela, quando uma cortina se afasta, é o de 

uma igreja que comunica com o palácio; nele encontramos vários

 religiosos, além de paramentos litúrgicos. As personagens 

passam, assim, do espaço profano ao sagrado.


2. A expressão do Prior refere-se ao facto de Manuel e 

D. Madalena estarem prestes a abdicar da vida que tinham, 

dos seus bens e títulos, para ingressarem em ordens 

religiosas. Mudarão de nome e abandonarão a existência 

profana para professarem.


3. O ambiente da cena X tem a solenidade e a serenidade que 

se espera de uma cerimónia religiosa: a música do órgão e os 

cânticos contribuem para essa gravidade. A entrada tempestuosa 

de Maria em cena vem perturbar a calma que se vivia e que 

se transforma em «confusão geral». 




4.1 Maria tenta demover os pais da resolução extrema que estão 

a tomar («levantai-vos, vinde», l. 19), dirigindo a sua dolorosa 

revolta contra a falta de humanidade de um Deus que lhe rouba

 os seus legítimos pais («Que Deus é esse que […] quer roubar 

o pai e a mãe a sua filha?», l. 25). Desafia as normas dominantes, 

ao pedir aos pais que mintam, afirmando não se importar «com

 o outro» (l. 27), que veio dizer que ela era «filha do crime e do

 pecado» (ll. 40-41). Em suma, para Maria, o valor da família é 

superior aos valores sociais e religiosos, contra os quais dirige 

todo o seu discurso.



5.1 Maria revela à mãe o conteúdo das visões que a não 

deixavam dormir: o anjo que surgia com uma espada em 

chamas na mão e a atravessava entre ela e a mãe. A espada 

atravessada entre a família indicia a separação, e o facto de 

estar em chamas, significa a destruição. 

6. O Romeiro, ao ver o sofrimento que causou naquela família 

e a desgraça que se aproxima, pede a Telmo que intervenha 

para «salvar» Maria e os seus pais. Revelando nobres 

sentimentos, D. João, que antes ansiava por vingança, 

arrepende-se e quer agora que a tragédia não se abata sobre a

nova família de D. Madalena.


7.1 Em Frei Luís de Sousa, assistimos a «um duplo e tremendo 

suicídio», quando Manuel de Sousa Coutinho e D. Madalena 

decidem abandonar voluntariamente o mundo profano 

(«morte» para o mundo), para se entregarem à religião, 

procurando deste modo restabelecer a ordem divina.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

domingo, 16 de fevereiro de 2025

domingo, 2 de fevereiro de 2025

La Traviata

La Traviata (A Leviana) (clica no nome se quiseres ver e ouvir esta ópera ou excertos )


Opéra  de Giuseppe Verdi sobre o amor e o sacrifício

Baseada na obra dramática A Dama das Camélias de Alexandre Dumas e com libretto de Francesco Maria Piave, esta ópera de Giuseppe Verdi  é um dos retratos mais marcantes de uma mulher, ao mesmo tempo cruel e sublime.Estreou a 6 de março de 1853 no Teatro La Fenice, em Veneza.

Esta ópera conta-nos a história de amor entre Violeta, uma cortesã e Alfredo, um homem de linhagem, que se apaixona por ela. Violeta sabe que está tuberculosa mas omite esse facto a Alfredo. Acabam por ir viver juntos, mas o pai de Alfredo procura Violeta e pede-lhe que se afaste do filho, dado que essa situação está a prejudicar toda a família na sua reputação. Violeta, generosa, afasta-se e faz crer a Alfredo que já o não ama. Mais tarde, já perto da morte, Violeta é visitada pelo pai de Alfredo que lhe pede perdão e pelo próprio Alfredo que lhe jura amor eterno. Mas é tarde demais. Violeta morre nos braços de Alfredo...