2. Inicialmente, o Romeiro procura a confirmação de Telmo quanto às diligências
tomadas por D. Madalena no sentido de o encontrar (ll. 78-85), deixando transparecer
uma profunda mágoa por a sua esposa ter entregado o seu coração a outro. Após Telmo
aludir à injustiça deste juízo (l. 83), à virtude e honra de
D. Madalena e de confirmar essas diligências, D. João comunica ao velho escudeiro a
sua «última resolução» de tentar solucionar a situação. Esta decisão afigurou-se a mais
correta na alma do Romeiro, ao descobrir que o casal tinha uma filha, sentindo-se
responsável pelo «mal feito» (l. 114).
3. D. João pede a Telmo que minta, que diga a todos que «o peregrino era um
"impostor"» (l. 88) e que toda aquela situação era um «grosseiro embuste» (l. 89)
criado pelos inimigos de Manuel de Sousa Coutinho, decidindo desaparecer para sempre
– «Até ao dia de juízo» (l. 111).
Segundo o Romeiro, tal informação, dita por Telmo, teria «dobrada força» (l. 120). Inicialmente, Telmo rejeita participar neste plano, por implicar renegar
o seu «filho», D. João de Portugal, a quem amava e era fiel; no entanto, acaba
por ceder à vontade do Romeiro, sobretudo pelo amor «maior» pela
«outra filha», Maria.
4. O Romeiro, ao ouvir D. Madalena chamar pelo seu
«esposo» (l. 129), por breves instantes fica feliz e esperançoso, pensando
que é a si que ela se dirige, e sente-se tentado a abrir-lhe a porta. Porém,
quando D. Madalena nomeia «Manuel», chamando-lhe «meu amor» (l. 137),
fica furioso e destroçado, dirigindo-se para a porta; contudo, cai em si e,
resignado, reafirma a sua decisão, saindo «com violência» de cena (l. 140).
5. D. João de Portugal encerra em si as virtudes do cavaleiro cristão: mostra
amor pelo seu rei e pela sua pátria, combate contra os inimigos da fé, pela
qual coloca em risco a sua vida, sujeitando-se a maus-tratos, privações,
distância e «saudades» da esposa durante «vinte anos». Revela generosidade
e grandeza de alma ao não querer «desonrar a sua viúva» (l. 119), preferindo,
apesar de sentir frustração e mágoa pela perda da sua esposa, passar por
«impostor», apagando-se voluntariamente, para tentar remediar o problema
que o seu regresso gerou.