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domingo, 23 de fevereiro de 2025

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 1. O espaço que se revela, quando uma cortina se afasta, é o de 

uma igreja que comunica com o palácio; nele encontramos vários

 religiosos, além de paramentos litúrgicos. As personagens 

passam, assim, do espaço profano ao sagrado.


2. A expressão do Prior refere-se ao facto de Manuel e 

D. Madalena estarem prestes a abdicar da vida que tinham, 

dos seus bens e títulos, para ingressarem em ordens 

religiosas. Mudarão de nome e abandonarão a existência 

profana para professarem.


3. O ambiente da cena X tem a solenidade e a serenidade que 

se espera de uma cerimónia religiosa: a música do órgão e os 

cânticos contribuem para essa gravidade. A entrada tempestuosa 

de Maria em cena vem perturbar a calma que se vivia e que 

se transforma em «confusão geral». 




4.1 Maria tenta demover os pais da resolução extrema que estão 

a tomar («levantai-vos, vinde», l. 19), dirigindo a sua dolorosa 

revolta contra a falta de humanidade de um Deus que lhe rouba

 os seus legítimos pais («Que Deus é esse que […] quer roubar 

o pai e a mãe a sua filha?», l. 25). Desafia as normas dominantes, 

ao pedir aos pais que mintam, afirmando não se importar «com

 o outro» (l. 27), que veio dizer que ela era «filha do crime e do

 pecado» (ll. 40-41). Em suma, para Maria, o valor da família é 

superior aos valores sociais e religiosos, contra os quais dirige 

todo o seu discurso.



5.1 Maria revela à mãe o conteúdo das visões que a não 

deixavam dormir: o anjo que surgia com uma espada em 

chamas na mão e a atravessava entre ela e a mãe. A espada 

atravessada entre a família indicia a separação, e o facto de 

estar em chamas, significa a destruição. 

6. O Romeiro, ao ver o sofrimento que causou naquela família 

e a desgraça que se aproxima, pede a Telmo que intervenha 

para «salvar» Maria e os seus pais. Revelando nobres 

sentimentos, D. João, que antes ansiava por vingança, 

arrepende-se e quer agora que a tragédia não se abata sobre a

nova família de D. Madalena.


7.1 Em Frei Luís de Sousa, assistimos a «um duplo e tremendo 

suicídio», quando Manuel de Sousa Coutinho e D. Madalena 

decidem abandonar voluntariamente o mundo profano 

(«morte» para o mundo), para se entregarem à religião, 

procurando deste modo restabelecer a ordem divina.